Engraçado como os meios de comunicação, por vezes, assumem papéis inversos, de acordo com as necessidades prioritárias de cada um.
Na terça-feira, 09, enquanto fazia infinitas pesquisas sobre diversos temas na internet e, a cada nova informação abria tantas outras janelas e guias na rede de comunicação, ouvia de longe as notícias do dia serem transmitidas pelo Jornal Nacional da Rede Globo.
Era o país que entrava em recessão por conta do PIB negativo, pela queda de 0,8% nos três primeiros meses do ano comparados ao mesmo período de 2008; mais corpos sendo localizados na Costa Brasileira, em conseqüência da fatídica queda do avião da Air France, que deixou 228 vítimas; pilotos sendo aconselhados pelo sindicato de funcionários da companhia a não decolarem enquanto os sensores de velocidade das aeronaves de marca francesa não fossem substituídos, gerando mais temor quanto aos acidentes aéreos, tanto para quem trabalha como quem utiliza desse meio de transporte; o grande Felipão, ex-técnico da Seleção Brasileira, indo para o Uzbequistão treinar uma equipe que jamais alguém ouviu falar e que sequer me arrisco em pronunciar (Bunyodkor) e, ainda, em discurso afirmar que aceitou a oferta por terem lhe apresentado uma idéia de projeto que se assemelhava a trabalhos que eram de interesse dele, entre outras marolas. Porém, em meio a esse turbilhão de informações, que ora lia ora ouvia, fui tomada pela leveza da reportagem do jornalista André Junqueira, que trazia como pano de fundo da própria matéria uma música instrumental programada para tocar os corações aflitos, dos tantos dramas e tragédias que nos chegavam e que, de fato, tocou-me sensivelmente. Isso para não comentar os closes que esbanjavam felicidade, embora eu tenha sã consciência que estas são algumas das ferramentas que compunha o jogo do marketing ali presente, correndo nas entrelinhas.
Naquele momento, a notícia sobre o reencontro dos dois meninos com seus pais biológicos, após 24 anos, foi tão mais impactante que qualquer crise mundial ou déficit interno, que no mesmo instante deixei o mouse escorregar por minhas mãos para permitir a TV cumprir seu papel, sentando-me à sala, diante dela, ouvindo-a, vendo-a e admirando-a.
Não sei por quanto tempo a notícia ficou no ar, mas foi o suficiente para ver que um fato inusitado e com final feliz, como no caso dessas duas famílias, tivesse despertado a atenção da mídia e virasse um assunto noticioso, com transmissão para todo o Brasil.
Só pude sorrir e acreditar que TV também se faz de coisas boas e fico a imaginar qual terá sido a reação dos outros tantos milhões de brasileiros que assistiam ao Jornal Nacional, naquele mesmo instante que eu.
Terão tido compreensão semelhante ou fora uma pausa para enfiar os dedões nos incontroláveis controles remotos em busca das mazelas alheias? Sem respostas, prefiro acreditar na primeira hipótese e prosseguir a escrita desse texto com o mesmo sorriso que me brotou dos lábios quando diante da TV estava ao ver aquela notícia do bem. Contudo, é claro que ao retornar aos meus sites de busca, minha TV se restringiu em ser o solitário meio difusor de recursos vocais.






