Intolerância e Preconceito são reforçados por pais de alunos em escola de Minas Gerais

9 06 2009

rejeitadoA palavra absurdo, oriunda do adjetivo latino absurdus, que significa “desagradável ao ouvido”, e, por extensão, “incompreensível, absurdo”, vai além de uma exclamativa de contestação quando nos deparamos com situação semelhante a vivida pelos pais de um menino de Contagem, na Grande Belo Horizonte, portador de uma deficiência que afeta a comunicação e o desenvolvimento mental.

Um grupo de 20 mães da escola Polo Eustáquio Júnior Matosinhos, onde o garoto estuda, fez um abaixo-assinado e levou ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente do município e a Secretaria Municipal de Educação exigindo medidas eficazes para o comportamento do portador de deficiência que, segundo elas, é agressivo com as demais crianças “normais”, pedindo-lhes, inclusive, o afastamento da escola. De acordo com a diretora da instituição, as mães ainda ameaçaram retirarem seus filhos do educandário, caso providências não fossem tomadas contra o menor deficiente. No entanto, a escola que acolhe outras quatro crianças portadoras de deficiências e adota medidas sócio-educativas de inclusão se posicionou de maneira contrária ao pedido dessas mães.

O desafeto e a intransigência das mulheres foram tomados como surpresa para os pais do menino deficiente que disseram estar muito triste com a situação e acrescentaram que, ao contrário do que dizem, o filho é muito carinhoso e adora beijar e abraçar os colegas, e informam que até mesmo o desempenho mental dele vinha melhorando no convívio com os demais alunos.

O que mais impressiona e chama a atenção nesta situação é o preconceito (puramente causado pela ignorância do ser diferente) que partem de pessoas que, de fato, deveriam estimular seus filhos a respeitar as diferenças e deficiências alheias, através de ações que promovam a inclusão social e não afastá-los dessas vivências e rejeitar as pessoas que sofrem de determinados males, transformando crianças em adultos menos compreensivos e intolerantes.

É lamentável a situação e espero que o fato não venha a desencorajar outros pais que têm filhos deficientes e lutam pelo direito de serem tratados como iguais. Que seja mais um estímulo, tanto para os indivíduos quanto aos órgãos competentes, para ações que promovam e perpetuem a igualdade entre os homens.

Artigo publicado no blog “AVida com Logan”

http://www.avidacomlogan.com.br/

 

E no site da Fundação Cultural CA&BA

http://www.caeba.org.br/site/index.php/page/artigos/id/19

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2 responses

10 06 2009
Erick Cerqueira

Caríssima Mônica
Sua indignação é fruto de um erro seu, do qual também sofro. Vivemos querendo que as outras pessoas sejam mais humanas, racionais e compreensivas. Buscamos nos outros sentimentos que possuímos e que gostaríamos que fosse disseminado como algo normal. Só que o coneceito de normal, como você bem destacou no seu texto, é muito efêmero. Como diria Nietzsche, vivemos entre seres humanos com o Instinto de Rebanho. Para a maioria da humanidade, seguir padrões e viver sob eles é o correto. Aquele se diferencia do certo, ou normal instituido pelos padrões da sociedade, é sempre execrado e não merece a “grande dádiva” do convívio social. É triste, minha amiga, mas cenas como essas são comuns, como essas pessoas medíocres e comuns que tentaram afastar uma pessoa com necessidades especiais do convívio com outras crianças. Parabéns pelo texto e pelo seu poder de indignação.

15 06 2009
Mônica França

Erick,
Muito obrigada por sua contribuição. Palavras bem colocadas para uma situação grandiosamente indígna.
Infelizmente, casos de preconceito e intolerância como esse ainda irão se repetir por anos a fio, em diversos lugares, e tudo isso devido aos valores que são impostos como “norma” e “normal”, pela sociedade “democrática” que vivemos.

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