Michael Jackson: A Vida e a Morte na Mídia

2 07 2009

michael-jacksonO gênio do pop internacional, ovacionado pelo mundo por suas inquietações e inovações artísticas que o colocavam à frente do seu tempo, e que transformou o mercado fonográfico com os milionários vídeo-clips que ditavam padrões estéticos na década de 80 – considerados, inclusive, divisor de águas das produções audiovisuais contemporâneas – foi também a atração número um da mídia.

Este, que foi brilhante nos palcos e arrastou consigo uma legião de fãs em todos os continentes, também preencheu os noticiários com os espetáculos e performances ímpares (como o inesquecível moonwalker que desbancava qualquer imitador despreparado), bem como se tornou foco da imprensa na cobertura dos escândalos sobre denúncias de pedofilia, que o fizeram gastar fortunas com indenizações e fianças, além das diversas polêmicas, ora envolvendo a revelação de que sofria agressões físicas na infância pelo pai, ora pela brancura da pele, cirurgias plásticas e dívidas que o levaram à falência.

Como não seria diferente, após 50 anos de vida (retirando destes 45 só de carreira artística), morre subitamente levantando do túmulo diversas especulações a respeito da sua morte. São tantas as hipóteses içadas sobre o falecimento do astro que não seria improvável aos médicos-legistas confundirem o diagnóstico do resultado da autópsia, ou mesmo errar a causa que aponta para a overdose de drogas, que inevitavelmente causou-lhe uma parada cardíaca.

Porém, certeza mesmo, só a cifra que está sendo movimentada no mercado cultural midiático e fonográfico a cerca dos tantos assuntos referentes ao astro pop. É assunto que dá para alimentar dezenas de gerações que vierem por aí.

Os jornais estão vendendo a torto e direito, assim como as edições especiais de revistas, CDs e DVDs do músico não param de esgotar os estoques. As TVs, nem se fala. O índice de audiência dispara quando o tema é o cantor. E as rádios tocam suas canções a cada minuto. É uma canção de Michael alternando a canção de outro músico. Desde o trágico dia 25/06, não há espaço suficiente para as notícias referentes ao alastramento da gripe suína no país que está fazendo mais vítimas, nem para a morte da “pantera” Farrah Fawcett que veio a óbito no mesmo dia do “Rei do Pop” e, tão pouco, para a crise instalada no Senado que pede o afastamento imediato do presidente da Casa, José Sarney, devido às recentes descobertas de irregularidades administrativas.

É chegada a notícia

Confesso ter sido pega de surpresa sobre a morte de Jackson, na madrugada de 25 para 26 de junho. Pois, por opção, mantive-me isenta dos “embrulhos” que a TV dominical me proporciona. Até que um filho de Deus me ligou informando do ocorrido. Quase mato (no sentido figurado da palavra) aquele que interrompeu meus sonhos para transformá-los em pesadelos – a morte é sempre assustadora e a cara de Michael nos últimos tempos tem sido mais ainda. Não dava mais para dormir com a imagem transfigurada de Michael Jackson penetrando meu juízo. Levantei, vi a notícia correndo pelos blogs quando procurava pela informação nos sites de busca, dei-me por satisfeita e voltei para cama.

No dia seguinte à morte do ídolo norte-americano, como já era de se esperar, lá estava ele mudando a programação habitual dos veículos. Em dado momento, fixei a TV no canal Multishow (a TV paga do grupo Globo) e para surpresa maior desta que nunca teve o astro pop como ídolo, mas reconhece o trabalho magnífico executado por ele e ressentia o falecimento inesperado, fiquei pasma com a “homenagem” póstuma dedicada pela emissora. O nome do programa, não sei, porque não acompanhei do início, mas se minha memória anda boa tanto quanto minha língua afiada, acima do vídeo tinha em letras brancas garrafais os seguintes dizeres: “OS PIORES MOMENTOS DA VIDA DE MICHAEL JACKSON”.

Conduta apelativa

De arrepiar até mesmo os cabelos implantados do popstar. Um documentário inteirinho dedicado às mazelas da vida do cantor. Parecia até matéria de gaveta, pronta para disparar no momento mais oportuno. Mas justo quando ainda muitos recebiam a notícia da morte do astro e outros tantos faziam vigília para ele ou estavam de luto? O que é que é isso? Haja falta de bom senso.

Não dá para encarar que Michael Jackson viveu apenas de momentos gloriosos, mas destacar apenas os aspectos negativos vividos por este que foi o Rei do Pop, com enxurradas de notícias assombrosas, se não for apelação para atingir altos índices de Ibope, seria o que?

Pelo visto, ninguém está a salvo da conduta apelativa dos meios de comunicação em busca da audiência desenfreada que faça perpetrar o tilintar de suas máquinas registradoras. Nem mesmo quem compromete parte do orçamento mensal em TV por assinatura – onde acreditava ser a escapatória de assuntos vis – está protegido da moléstia midiática.

 

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=545FDS009

No site Alai Online 

http://www.alaionline.org/artigo_michael.htm

E no site da Fundação Cultural CA&BA

http://www.caeba.org.br/site/index.php/page/artigos/id/22

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