Adolescentes vítimas de homicídio são também vítimas de descaso público

25 07 2009

Em um país de contrastes naturais e desigualdades sociais como o Brasil, a falta de políticas públicas de combate a violencia01violência evidencia a fragilidade a que estão expostos os adolescentes brasileiros, mesmo em Regiões do País consideradas mais desenvolvidas.

Em pesquisa apresentada dia 21 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SPDCA/SEDH), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência (LAV/UERJ), o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) revelou o alto risco de mortalidade por homicídio contra adolescentes, indicando o valor médio de 2,03 pessoas, entre 12 e 18 anos, assassinadas no Brasil, a cada grupo de 1.000 indivíduos, nos 267 municípios, com mais de 100 mil habitantes avaliados.  O diagnóstico resultante dessa estimativa mostrou-se bastante assustador, haja vista que uma sociedade para ser considerada não violenta deve apresentar valores próximos de 0 (zero).

O município que lidera o topo do ranking de maior IHA é Foz do Iguaçu (Paraná), com valor bem acima da média nacional, indicando 9,7 adolescentes mortos por homicídio, seguidos de Governador Valadares (Minas Gerais) com IHA de 8,5 e Cariacica (Espírito Santo) com 7,3. Entre as capitais, Maceió ficou em primeiro lugar, apresentando IHA de 6,03 e Salvador apareceu em décima posição, com 2,24 adolescentes vitimados. No conjunto dos 267 municípios com mais de 100 mil habitantes, o número total estimado de vidas de adolescentes que serão perdidas, num período de sete anos, a partir de 2006, é de 33.504 jovens.

Ainda de acordo com a pesquisa, avaliações complementares mostraram que, embora a violência letal contra adolescentes seja grave, o impacto dos homicídios continua subindo até atingir o seu pico na faixa de 20 a 24 anos. Entretanto, a análise dos responsáveis pela investigação indica que as políticas públicas devem contemplar idades anteriores, pois as dinâmicas que levaram à perda de vidas dos adolescentes provavelmente se iniciaram em faixas etárias anteriores, como a adolescência.

Diante do quadro gravemente preocupante, mais inquietante é a afirmativa que parte da instância maior de poder público no País. Em entrevista no Itamaraty, o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, admitiu a falta de políticas públicas para reduzir os índices de homicídio entre os jovens e atestou que a solução para o problema está na educação. Disso, com todo o respeito e toda a certeza, nenhum leigo tem dúvida. Mas o que abre espaço para especulação é o fato de oito anos no poder não ter sido tempo hábil para criação de programas voltados para este sentido – de preservação da adolescência, por meio da educação e outras ações de combate a violência. Isso sim é realmente indigno de compreensão.

Paralelo a este terrível fato que vem a agonizar milhares de pais pelo Brasil adentro, no mesmo dia da divulgação do IHA na imprensa, cerca de 50 alunos do Colégio Estadual Bolivar Santana, localizado no Centro Administrativo da Bahia (CAB), manifestaram-se e protestaram em frente à Secretaria de Educação do Estado (SEC), exigindo escola de qualidade e reclamando a falta de professores, já que desde o início do ano letivo não há aulas de física, pela falta de um profissional, além de denunciarem a carência de docentes em ciências e artes laborais, no curso noturno, e os problemas de estrutura física da unidade de ensino.

Mas se esse fosse o único colégio com deficiências estruturais e de ensino a comprometer a vida escolar do aluno… E ainda falam que o investimento neste setor é “extraordinário”, com vistas a “recuperar a juventude brasileira”, novamente o Sr. Lula em entrevista no Itamaraty.

É triste pensar em ter de “recuperar a juventude” quando podíamos ainda na infância promover ações eficazes e eficientes para instruir crianças e construir seres mais íntegros, tolerantes e conscientes do seu papel social.

Outras análises do IHA mostram que a probabilidade de ser vítima de homicídio é quase doze vezes superior para o sexo masculino comparado com o feminino, e mais do dobro para os negros em comparação com os brancos, sendo que a maior parte dos homicídios é cometida com arma de fogo, o que frisa a importância do controle de armamento dentro das políticas de redução da violência letal, segundo a pesquisa.

Pois, bem. Não percamos de vista que 2010 vem aí. O presidente da República e todos os outros representantes do povo precisam fazer valer a confiança dos eleitores. O que queremos é sem dúvida mais ação, ao invés de corrupção.

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One response

26 07 2009
juniamagalhaes de almeida

prezada jornalista:

Estou preparando resposta ao assunto postado.
Nesse intervalo, leia o artigo postado nesse pagina chamado QUEM SABE COLA
de uma moca que se intitula “putada”. Tem anexo um vídeo do discurso proferido pelo Deputado Ullisses Guimarães na ocasião da promulgação da Constituição em outubro de 1988 que você NAO PODE PERDER. Vinte anos depois seu discurso nunca se fez tão necessário e atual ouvir diante desse jogo político e sacanagem com o povo. Ouça! Na epoca você tinha apenas 7 anos…

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