Babá Malfeitora

26 04 2010

Lendo a notícia do Jornal A TARDE sobre a babá Ângela Cristina de Souza, de Recife, acusada de agredir e abusar sexualmente de um bebê de sete meses fico surpresa e até indignada em ver que a mesma é tratada pelas autoridades como suspeita, mesmo após exibição de vídeo que comprova o comportamento descrito.

Os pais da criança, desconfiados que o filho pudesse estar sendo vítima de maus-tratos pela “cuidadora” de menores – inclusive vizinhos relatavam que o menino chorava muito na ausência deles – decidiram instalar uma câmera escondida em casa. Para infelicidade do bebê e familiares, a suspeita foi confirmada. No vídeo há cenas da mulher jogando água no rosto do bebê, atirando-o no sofá, batendo nele e até tocando suas partes íntimas.

Em uma situação como essa – que requer muito equilíbrio dos pais para não tomar nenhuma medida impulsiva contra a integridade da dita babá – o que resta para esta malfeitora ser classificada como criminosa?

Em depoimento, a cara de pau negou qualquer tipo de agressão ao bebê e disse a delegada Mariana Vilasboas que tratava a criança da mesma forma como tratava o sobrinho dela. Coitado!

Para ser mais sínica, a facínora contou que não tinha a intenção de machucar a criança e que suas atitudes eram apenas brincadeiras. Com relação a tocar as partes íntimas do bebê, Ângela justificou seu comportamento e disse estar atendendo a uma recomendação do médico pediatra para passar uma pomada para evitar a cirurgia da fimose.

Se condenada, Ângela pode pegar pena de 8 a 15 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável (qualquer tipo de ato libidinoso contra menor) e até um ano por maus-tratos.

Agora eu pergunto: como não condenar uma delinqüente que faz isso com um bebê inocente e incapaz de se defender?

Não foi decretada prisão preventiva a Ângela, pois a mesma possui residência fixa e está colaborando com as investigações. Enquanto isso, a polícia aguarda o laudo pericial para comprovar a agressão na criança.

ATENÇÃO PAIS

Muito cuidado na hora de contratar alguém para tomar conta dos seus filhos e de sua casa. Peça recomendações. Investigue sobre a relação do futuro contratado com pais de outras crianças com quem trabalhou. E estejam bem atentos às mudanças no comportamento das crianças.





A Páscoa e a prática dos seus sentidos

12 04 2010

“Páscoa é tempo de renovação; de celebrar a ressurreição de Jesus”.

Esta parece ser a definição mais utilizada entre os cristãos para definir o verbete Páscoa. Na prática, a data é celebrada com rituais que vão da participação em missas e cultos, reunião com familiares e amigos, até a troca de ovos de chocolate – que simbolizam o nascimento, a vida, o ressurgimento de Cristo – entre outros hábitos.

Durante a Semana Santa, na tentativa de confraternizar com 34 pacientes, entre crianças, jovens e adultos, vítimas de paralisia cerebral, do Lar Mensageiros da Luz, o Santos Futebol Clube organizou ação beneficente que doaria 640 ovos de Páscoa à instituição. Os ovos seriam entregues pelos próprios jogadores do Santos e a entidade iria vendê-los em um bazar, com o intuito de reverter a renda para manutenção da mesma. Porém, o que muitos não contavam era com a atitude adotada por alguns jogadores do time – contradizendo com os verdadeiros sentidos que a Páscoa traz e refutando a intenção solidária proposta pelo clube esportivo.

Ao chegar ao Lar Mensageiros da Luz jogadores como Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso recusaram-se a entrar na instituição e, inclusive, rejeitaram a possibilidade de desembarcar do ônibus do clube, na qual permaneceram no interior batucando por duas horas. A justificativa dada fora a de que por “decisões religiosas” esses atletas preferiram não participar da ação. Como já era de se esperar, o episódio teve repercussão negativa na imprensa, até mesmo por parte dos torcedores do Santos e admiradores dos craques da bola.

Em entrevista concedida à TV Bandeirantes, os jogadores Neymar e Paulo Henrique mostraram-se arrependidos da atitude e pediram desculpas. “Conversei com o meu pai, e percebi como foi ruim a nossa postura. Por isso, temos que pedir desculpas”, afirmou Neymar, alegando que teve receio de entrar na casa espírita e não se sentir bem diante de algum ritual. “Mas há outro motivo e isso não pode ser dito aqui e tem de ficar fechado no grupo”, concluiu o atacante do peixe.

Já o camisa 7, Robinho, disse por telefone que “Neymar tinha falado demais” e procurou se justificar. “Só ao chegar soubemos que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente, e acho que a religião de cada um precisa ser respeitada. Ninguém orientou a gente para que tomássemos essa atitude. Ela foi movida pela religiosidade de cada um. Isso não tem de virar polêmica”, finalizou o atacante alvinegro.

Mas como não virar polêmica um fato com essa dimensão, se até mesmo dentro do clube existem jogadores que divergem da opinião do colega?

Comenta-se que o problema está além do que aparentemente parece ser. De acordo com informações publicadas no site do Estadão este acontecimento fora “a gota d’água para que aflorassem no Santos problemas que estão se arrastando, mas vêm sendo encobertos pelo brilhante desempenho do time” e que a recusa em participar do ato de solidariedade “teria sido uma forma de mostrar insatisfação”. A matéria do jornalista Sanches Filho ainda questiona se “os problemas, entre outros, seriam o atraso do pagamento dos direitos de imagem dos atletas? Se só Robinho estaria recebendo em dia? E o fato de o técnico Dorival Júnior não ter atendido ao pedido de não punir o atacante Madson, que chegou atrasado no treino da manhã de quinta-feira” (01/04) não serem os reais motivos para a reação dos jogadores.

Certo é que problemas sempre irão surgir, em qualquer ambiente, e reivindicar é a forma mais coesa de garantir direitos. No entanto, punir aquelas crianças e jovens deficientes que passaram o dia ansiosos aguardando a chegada dos seus ídolos do futebol não foi uma postura ética. Ao Santos Futebol Clube parabéns pela ação solidária, aos jogadores e corpo técnico que levaram um pouco de alegria a esses jovens fica aqui os meus cumprimentos, porém aos que optaram permanecer no ônibus, mas depois tiveram a humildade de reconhecer o erro cometido torço para que o episódio tenha servido de aprendizado. Contudo, aos que ignoram terem cometido a falta, que Deus em Sua infinita misericórdia os perdoe. Pois, embora a Páscoa tenha passado, a busca pela renovação de nossas práticas deve permanecer cotidianamente.





Pulseira do sexo não deve servir de justificativa para crime

12 04 2010

A mania que virou febre entre as crianças e, principalmente, os adolescentes brasileiros, desde dezembro de 2009, está dando o que falar na grande mídia, embora os blogs sejam os campeões de comentários. As tais “pulseiras do sexo”, como ficaram popularmente conhecidas – utilizadas inicialmente por adultos britânicos em 2006, como uma brincadeira nas casas noturnas – levantou questões polêmicas que vão desde a banalização do sexo na sociedade contemporânea até a iminente proibição do uso e comercialização do acessório.

Em boa parte das escolas brasileiras a proibição na utilização dos braceletes já está vigorando, enquanto em alguns municípios o Poder Público estuda a possibilidade de coibir a comercialização do adorno – a justificativa das autoridades é baseada nas evidências de que as pulseiras do sexo podem ter servido de motivo para práticas criminosas, além de facilitar a ação de pedófilos e tarados. A principal indicação dos atos delituosos está nos crimes ocorridos contra menores. No mês passado, uma adolescente de 13 anos foi estuprada por, pelo menos, três rapazes em Londrina (PR), quando saía da escola, e outras duas foram encontradas mortas no início de abril em Manaus (AM) utilizando as pulseiras.

Compostas por silicone de variadas cores e comercializadas em estabelecimentos que vão desde lojas de grife em shopping centers até barracas de camelô das grandes avenidas e até na porta de escolas, em certos aspectos, o jogo em que estão envolvidas as pessoas que usam a “pulseira do sexo” lembra a “salada mista” – adivinha dos anos 80 que limitava os participantes a trocar selinhos, beijo no rosto, abraço e aperto de mão. No entanto, a versão do século XXI apresenta características mais ousadas e difíceis de serem aceitas por pais, educadores e até profissionais que lidam com o comportamento.

Sem que haja um pedido formal, basta aderir a pulseira plástica para já fazer parte do jogo chamado snap. As regras, essas são ditas pela cor apresentada por cada pulseira. A amarela significa abraço, rosa quer dizer mostrar o peito, laranja expressa dentadinha de amor, roxa é beijo com a língua – talvez sexo, vermelha fica por conta da lap dance – um tipo de dança erótica, verde denota sexo oral a ser praticado pelo rapaz, já a branca, a menina escolhe o que quiser, enquanto azul determina sexo oral a ser praticado pela menina e a preta quer dizer sexo com a menina. Contudo, para receber a “prenda”, como regra do jogo, é necessário arrebentar as tais pulseiras – o que têm causado uma corrida frenética dos meninos atrás das meninas.

Comprovadamente sabemos que a sexualidade se inicia ainda na infância e se intensifica na adolescência, principalmente, por conta das mudanças corporais e hormonais – foi assim com quem já passou dessa fase e será assim para quem ainda não a alcançou. A pulseira do sexo se estabeleceu como um meio para o contato com o sexo oposto (ou mesmo com pessoas do próprio sexo), porém o uso das pulseiras não deve ser interpretado como motivo para práticas violentas. Ninguém é obrigado a fazer sexo com quem não quer. Se o for está caracterizado abuso sexual e o acusado deve ser responsabilizado por seus atos.

Para minimizar e até evitar futuros transtornos, os pais devem manter o diálogo constante com seus filhos e alertá-los sobre os riscos a que podem estar expostos, bem como os educadores devem instruir os estudantes sobre assuntos que contribuem para formação individual e coletiva. Entretanto, embora sexualmente apelativo, e respeitando as divergentes opiniões e decisões alheias, acredito que o jogo das pulseiras do sexo não deva servir de motivo para justificar crimes. Seria o mesmo que apresentar desculpas de um homem que abusou sexualmente uma mulher por ela ter usado uma saia ou um short curto com blusa decotada. Quem pratica um crime, principalmente contra a vida, é um delinqüente infrator que tem ou não distúrbios psicológicos e que deve ser tratado pelas autoridades e descrito pela imprensa como a pessoa que verdadeiramente é: um(a) criminoso(a).