Um dia triste na memória do Brasil

8 04 2011

É com grande pesar, que no dia de hoje, cuja data 07 de abril entra na história do Brasil, que retomo a escrita deste blog. Não em exaltação ao Dia do Jornalista, profissional que sou, mas pela tragédia que deixa um grande vazio e indignação na vida de pais, familiares, vizinhos, amigos, colegas e até desconhecidas, como eu, pela morte das 12 crianças que estudavam na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Na manhã de hoje, um franco-louco-atirador, ex-estudante da escola citada, adentrou os portões que deveriam servir apenas de porta de entrada para a educação e matou 12 adolescentes (até então), entre 12 e 15 anos, além de deixar dezenas de feridos e cometer suicídio após o deplorável ato. O momento, cujas palavras não são capazes de explicar é de grande comoção no país. E nem mesmo as elucidações dos Doutores em Psiquiatria, Psicologia ou qualquer outra ciência humana, convidados a expor suas teorias nas emissoras de rádio, TV, sites, entre outros meios de comunicação, puderam nos acalentar ou nos fazer compreender tamanha crueldade.

Ao chegar do trabalho acompanhei pela TV o desespero dos pais, vi crianças amedrontadas, deduzi uma geração com futuro traumático e conheci histórias interrompidas. E mesmo tendo desligado meu aparelho pela teatralidade da notícia, ainda choro a realidade daqueles que não têm mais lágrimas no olhar. Fico a me perguntar como é possível existir seres humanos capazes de tais atrocidades? Porque negar ao outro o direito à vida?

Diante do meu falível pensamento, em que eu achava que atrocidades desse tipo fossem apenas “coisas de norte-americanos”, desmoronei no penhasco do ledo engano. A violência que põe em dúvida nossa condição humana é uma realidade mundial e se espalha pelos continentes como os rastros das pólvoras deixadas pelas duas armas utilizadas pelo assassino-suicida, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos.

No dia de hoje, não foram apenas os 12 adolescentes mais o autor do crime que morreram. Morrem aos poucos também, e principalmente, aqueles que ficaram para contar essa história, aqueles capazes de se indignar pelas atrocidades que o homem é capaz de cometer, embora acreditar na humanidade seja o combustível para superar as perdas, dores, fraquezas e seguir a estrada que nos reconduz à capacidade de achar e querer que tudo vai melhorar. Se dará certo, eu não sei, mas usemos nossas palavras e a compaixão como armas em favor da vida.

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Babá Malfeitora

26 04 2010

Lendo a notícia do Jornal A TARDE sobre a babá Ângela Cristina de Souza, de Recife, acusada de agredir e abusar sexualmente de um bebê de sete meses fico surpresa e até indignada em ver que a mesma é tratada pelas autoridades como suspeita, mesmo após exibição de vídeo que comprova o comportamento descrito.

Os pais da criança, desconfiados que o filho pudesse estar sendo vítima de maus-tratos pela “cuidadora” de menores – inclusive vizinhos relatavam que o menino chorava muito na ausência deles – decidiram instalar uma câmera escondida em casa. Para infelicidade do bebê e familiares, a suspeita foi confirmada. No vídeo há cenas da mulher jogando água no rosto do bebê, atirando-o no sofá, batendo nele e até tocando suas partes íntimas.

Em uma situação como essa – que requer muito equilíbrio dos pais para não tomar nenhuma medida impulsiva contra a integridade da dita babá – o que resta para esta malfeitora ser classificada como criminosa?

Em depoimento, a cara de pau negou qualquer tipo de agressão ao bebê e disse a delegada Mariana Vilasboas que tratava a criança da mesma forma como tratava o sobrinho dela. Coitado!

Para ser mais sínica, a facínora contou que não tinha a intenção de machucar a criança e que suas atitudes eram apenas brincadeiras. Com relação a tocar as partes íntimas do bebê, Ângela justificou seu comportamento e disse estar atendendo a uma recomendação do médico pediatra para passar uma pomada para evitar a cirurgia da fimose.

Se condenada, Ângela pode pegar pena de 8 a 15 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável (qualquer tipo de ato libidinoso contra menor) e até um ano por maus-tratos.

Agora eu pergunto: como não condenar uma delinqüente que faz isso com um bebê inocente e incapaz de se defender?

Não foi decretada prisão preventiva a Ângela, pois a mesma possui residência fixa e está colaborando com as investigações. Enquanto isso, a polícia aguarda o laudo pericial para comprovar a agressão na criança.

ATENÇÃO PAIS

Muito cuidado na hora de contratar alguém para tomar conta dos seus filhos e de sua casa. Peça recomendações. Investigue sobre a relação do futuro contratado com pais de outras crianças com quem trabalhou. E estejam bem atentos às mudanças no comportamento das crianças.





A Páscoa e a prática dos seus sentidos

12 04 2010

“Páscoa é tempo de renovação; de celebrar a ressurreição de Jesus”.

Esta parece ser a definição mais utilizada entre os cristãos para definir o verbete Páscoa. Na prática, a data é celebrada com rituais que vão da participação em missas e cultos, reunião com familiares e amigos, até a troca de ovos de chocolate – que simbolizam o nascimento, a vida, o ressurgimento de Cristo – entre outros hábitos.

Durante a Semana Santa, na tentativa de confraternizar com 34 pacientes, entre crianças, jovens e adultos, vítimas de paralisia cerebral, do Lar Mensageiros da Luz, o Santos Futebol Clube organizou ação beneficente que doaria 640 ovos de Páscoa à instituição. Os ovos seriam entregues pelos próprios jogadores do Santos e a entidade iria vendê-los em um bazar, com o intuito de reverter a renda para manutenção da mesma. Porém, o que muitos não contavam era com a atitude adotada por alguns jogadores do time – contradizendo com os verdadeiros sentidos que a Páscoa traz e refutando a intenção solidária proposta pelo clube esportivo.

Ao chegar ao Lar Mensageiros da Luz jogadores como Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso recusaram-se a entrar na instituição e, inclusive, rejeitaram a possibilidade de desembarcar do ônibus do clube, na qual permaneceram no interior batucando por duas horas. A justificativa dada fora a de que por “decisões religiosas” esses atletas preferiram não participar da ação. Como já era de se esperar, o episódio teve repercussão negativa na imprensa, até mesmo por parte dos torcedores do Santos e admiradores dos craques da bola.

Em entrevista concedida à TV Bandeirantes, os jogadores Neymar e Paulo Henrique mostraram-se arrependidos da atitude e pediram desculpas. “Conversei com o meu pai, e percebi como foi ruim a nossa postura. Por isso, temos que pedir desculpas”, afirmou Neymar, alegando que teve receio de entrar na casa espírita e não se sentir bem diante de algum ritual. “Mas há outro motivo e isso não pode ser dito aqui e tem de ficar fechado no grupo”, concluiu o atacante do peixe.

Já o camisa 7, Robinho, disse por telefone que “Neymar tinha falado demais” e procurou se justificar. “Só ao chegar soubemos que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente, e acho que a religião de cada um precisa ser respeitada. Ninguém orientou a gente para que tomássemos essa atitude. Ela foi movida pela religiosidade de cada um. Isso não tem de virar polêmica”, finalizou o atacante alvinegro.

Mas como não virar polêmica um fato com essa dimensão, se até mesmo dentro do clube existem jogadores que divergem da opinião do colega?

Comenta-se que o problema está além do que aparentemente parece ser. De acordo com informações publicadas no site do Estadão este acontecimento fora “a gota d’água para que aflorassem no Santos problemas que estão se arrastando, mas vêm sendo encobertos pelo brilhante desempenho do time” e que a recusa em participar do ato de solidariedade “teria sido uma forma de mostrar insatisfação”. A matéria do jornalista Sanches Filho ainda questiona se “os problemas, entre outros, seriam o atraso do pagamento dos direitos de imagem dos atletas? Se só Robinho estaria recebendo em dia? E o fato de o técnico Dorival Júnior não ter atendido ao pedido de não punir o atacante Madson, que chegou atrasado no treino da manhã de quinta-feira” (01/04) não serem os reais motivos para a reação dos jogadores.

Certo é que problemas sempre irão surgir, em qualquer ambiente, e reivindicar é a forma mais coesa de garantir direitos. No entanto, punir aquelas crianças e jovens deficientes que passaram o dia ansiosos aguardando a chegada dos seus ídolos do futebol não foi uma postura ética. Ao Santos Futebol Clube parabéns pela ação solidária, aos jogadores e corpo técnico que levaram um pouco de alegria a esses jovens fica aqui os meus cumprimentos, porém aos que optaram permanecer no ônibus, mas depois tiveram a humildade de reconhecer o erro cometido torço para que o episódio tenha servido de aprendizado. Contudo, aos que ignoram terem cometido a falta, que Deus em Sua infinita misericórdia os perdoe. Pois, embora a Páscoa tenha passado, a busca pela renovação de nossas práticas deve permanecer cotidianamente.





Pulseira do sexo não deve servir de justificativa para crime

12 04 2010

A mania que virou febre entre as crianças e, principalmente, os adolescentes brasileiros, desde dezembro de 2009, está dando o que falar na grande mídia, embora os blogs sejam os campeões de comentários. As tais “pulseiras do sexo”, como ficaram popularmente conhecidas – utilizadas inicialmente por adultos britânicos em 2006, como uma brincadeira nas casas noturnas – levantou questões polêmicas que vão desde a banalização do sexo na sociedade contemporânea até a iminente proibição do uso e comercialização do acessório.

Em boa parte das escolas brasileiras a proibição na utilização dos braceletes já está vigorando, enquanto em alguns municípios o Poder Público estuda a possibilidade de coibir a comercialização do adorno – a justificativa das autoridades é baseada nas evidências de que as pulseiras do sexo podem ter servido de motivo para práticas criminosas, além de facilitar a ação de pedófilos e tarados. A principal indicação dos atos delituosos está nos crimes ocorridos contra menores. No mês passado, uma adolescente de 13 anos foi estuprada por, pelo menos, três rapazes em Londrina (PR), quando saía da escola, e outras duas foram encontradas mortas no início de abril em Manaus (AM) utilizando as pulseiras.

Compostas por silicone de variadas cores e comercializadas em estabelecimentos que vão desde lojas de grife em shopping centers até barracas de camelô das grandes avenidas e até na porta de escolas, em certos aspectos, o jogo em que estão envolvidas as pessoas que usam a “pulseira do sexo” lembra a “salada mista” – adivinha dos anos 80 que limitava os participantes a trocar selinhos, beijo no rosto, abraço e aperto de mão. No entanto, a versão do século XXI apresenta características mais ousadas e difíceis de serem aceitas por pais, educadores e até profissionais que lidam com o comportamento.

Sem que haja um pedido formal, basta aderir a pulseira plástica para já fazer parte do jogo chamado snap. As regras, essas são ditas pela cor apresentada por cada pulseira. A amarela significa abraço, rosa quer dizer mostrar o peito, laranja expressa dentadinha de amor, roxa é beijo com a língua – talvez sexo, vermelha fica por conta da lap dance – um tipo de dança erótica, verde denota sexo oral a ser praticado pelo rapaz, já a branca, a menina escolhe o que quiser, enquanto azul determina sexo oral a ser praticado pela menina e a preta quer dizer sexo com a menina. Contudo, para receber a “prenda”, como regra do jogo, é necessário arrebentar as tais pulseiras – o que têm causado uma corrida frenética dos meninos atrás das meninas.

Comprovadamente sabemos que a sexualidade se inicia ainda na infância e se intensifica na adolescência, principalmente, por conta das mudanças corporais e hormonais – foi assim com quem já passou dessa fase e será assim para quem ainda não a alcançou. A pulseira do sexo se estabeleceu como um meio para o contato com o sexo oposto (ou mesmo com pessoas do próprio sexo), porém o uso das pulseiras não deve ser interpretado como motivo para práticas violentas. Ninguém é obrigado a fazer sexo com quem não quer. Se o for está caracterizado abuso sexual e o acusado deve ser responsabilizado por seus atos.

Para minimizar e até evitar futuros transtornos, os pais devem manter o diálogo constante com seus filhos e alertá-los sobre os riscos a que podem estar expostos, bem como os educadores devem instruir os estudantes sobre assuntos que contribuem para formação individual e coletiva. Entretanto, embora sexualmente apelativo, e respeitando as divergentes opiniões e decisões alheias, acredito que o jogo das pulseiras do sexo não deva servir de motivo para justificar crimes. Seria o mesmo que apresentar desculpas de um homem que abusou sexualmente uma mulher por ela ter usado uma saia ou um short curto com blusa decotada. Quem pratica um crime, principalmente contra a vida, é um delinqüente infrator que tem ou não distúrbios psicológicos e que deve ser tratado pelas autoridades e descrito pela imprensa como a pessoa que verdadeiramente é: um(a) criminoso(a).





Bahia Café Hall recebe Mariene de Castro e o grupo EME XXI

5 10 2009

Nova produtora baiana reúne samba, axé, pop reggae e música eletrônica em lançamento

Mariene de CastroMistura Fina, essa é a definição perfeita para o evento que o Bahia Café Hall -Paralela, realiza no próximo dia 24 de outubro, reunindo a sambista Mariene de Castro, que passeia pelo recôncavo, mistificando ainda mais a nossa terra, o grupo EME XXI, de Cátia Guimma, Márcia Short e Wil Carvalho, com repertório eclético e a Banda Himanay, um pop reggae que abre a noite, misturado com a música eletrônica dos DJs Chiquinho, Mauzz e Sankofa, além da participação do percussionista Bruno Mocotó.

Diversidade, miscigenação, pluralidade de gêneros e gostos, de ritmos e música, essa é a missão da Mistura Fina Produções, que vem com o compromisso de promover eventos conceituados e democráticos em nosso Estado.

Mais Informações:

Local: Bahia Café Hall – Paralela. (www.bahiacafehall.com.br)

Quando: 24/10/2009 (sábado), a partir das 21h

Valores:

Pista: Casadinha R$ 50 ou R$ 30 (meia) / R$ 60 (inteira)

Camarote Open Bar: R$ 70 (com cerveja, roskas, refrigerante e água) Censura: 16 anos

Ingressos à venda:

Balcões Pida

Lojas Ticketmix (Shoppings Barra, Iguatemi, Sumaré e Estrada do Coco)

Ingresso Rápido (venda on line: www.ingressorapido.com.br)

Contato para agendar entrevistas:

Valéria Ibalo – Jornalista (DRT/Ba – 2290)

Tel.:(71) 9997-2865 / 8840-5600

http://www.misturafinabahia.com/





VEJA só: o Nordeste na Mídia

26 08 2009

O NORDESTE NA MÍDIA, PRECONCEITO E ESTEREÓTIPO” (título atribuído pelo Observatório da Imprensa)

Por Mônica França e Erick Cerqueira
Não importa se modelo associativo ou padrão pré-estabelecido. “Usado principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade”, o uso do estereótipo é motivado, sobretudo, pelo preconceito e discriminação, como consta seu significado na enciclopédia digital, Wikipédia.Tomando como base o substantivo em questão, quando o jornalista Marcelo Marthe escreve no texto em que assina (edição 2124, 08/08, revista Veja) que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino” e que isso “se explica pelos altos índices de criminalidade da região”, em outros termos e bastando um pouco de discernimento, ele está criando um estigma preconceituoso acerca dos mais de 51 milhões de habitantes dos quase 1.800 municípios existentes nessa região.Para entender melhor nosso ponto de vista, voltemos um pouco ao texto de Marthe – que contou com a colaboração das reportagens dos jornalistas Leonardo Coutinho, Luciana Cavalcante, Fernanda Guirra, José Edward, Igor Paulin e Bruno Meier. Nas informações, o jornalista se utiliza dos termos generalistas para tentar explicar as hipóteses içadas sobre a quantidade de programas “policialescos” exibidos no Nordeste, em especial, o “expoente da baixaria baiana” Se Liga Bocão – citado como um dos exemplos, dentre as “aberrações” geradas pelas “produções regionais”.

Ranking de homicídios

Seguindo a contramão das “produções nacionais das grandes redes”, Marthe diz que a apreciação do nordestino ao estilo citado, exibido dentro do horário que atinge os maiores índices de Ibope na programação das TVs locais, é tida por “horário nobre” dos sítios e que isso faz parte da “tradição que remonta à era cenozóica da TV”. Ou seja, os velhos hábitos dos truculentos matutos e flagelados do Nordeste… Eis a chancela discriminatória evidente nas entrelinhas.

O jornalista não conseguiu esconder e deixou escapar sua verdadeira intenção ao traduzir que tal relação pitoresca entre o meio difusor e o expectador nordestino não passam de uma combinação entre baixa qualidade nas produções televisivas e as poucas faculdades intelectuais de um povo.

Um interessante flagrante de contradição da escrita pode ser visto quando Marthe se refere ao nordeste01programa Sem meias palavras, apresentado pelo repórter Givanildo. Em um mesmo parágrafo o autor cita que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino. Isso se explica pelos altos índices de criminalidade da região”. Em seguida, diz que “as reportagens sobre um certo bêbado Jeremias e sobre o cachorro que faz sexo com uma garrafa pet transformaram Givanildo Silveira em hit no YouTube”. Será que a Google sabe que o seu produto, o Youtube, é assistido apenas por uma fatia do mercado brasileiro? Os nordestinos? Buemba, buemba como diria Simão. O esdrúxulo, caro Marthe, é sucesso em todo o país e no mundo.

Um levantamento da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) traz uma informação estarrecedora, talvez para os jornalistas – inclua-se aí o editor – da revista Veja:

“A cidade de Coronel Sapucaia (MS) tem a taxa média de homicídios mais alta do país, com 107,2 mortes para cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, a cidade de São Paulo lidera o ranking, com 2.546 homicídios (taxa 23,7), seguida pelo Rio de Janeiro, com 2.273 (37,7).”

Um papel simples e ridículo

É incrível o que revela essa pesquisa, visto que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Coronel Sapucaia não fazem parte do “mundo-cão” que assola o Nordeste, mas estão com os maiores índices de criminalidade do país. Para piorar a situação do jornalista de Veja, que parece não ver a realidade da pátria em que vive (se é que ele ainda acredita que SP e RJ fazem parte do Brasil), um dos programas mais popularescos da TV, citado por ele próprio na reportagem, foi “exportado” do Nordeste para as capitais sulistas. O Balanço Geral, do sr. Raimundo Varela. O que existe, segundo informações do IBGE, é um aumento substancial do poder de compra das classes menos favorecidas nos últimos anos. Com isso, criar programas que agradem as classes C, D, e E (que são a maioria nacional) é alvo mercadológico que simboliza lucro. Somente a classe C ocupa aproximadamente 44% dos consumidores brasileiros, colocando-os na mira dos especialistas de mercado.

Muitas empresas de bens e serviços já voltaram suas estratégias e campanhas de marketing para as novas classes de poder. E quem não aderiu ao segmento, logo estará criando perspectivas substanciais para atrair quem está inserido na maior parte da população brasileira consumidora. Essa informação, não presente no texto da Veja, acaba por tornar-se um empecilho para credibilidade de tanta verborragia desnecessária.

As falácias deflagradas em preconceito pela grande mídia acerca do Nordeste e dos nordestinos são recorrentes na história da imprensa e a elas somam-se as evidências de um crime prescrito. É assim na política, no futebol e em todas as outras áreas. A título de exemplo, na segunda divisão do ano passado, do campeonato de futebol brasileiro, parecia ter apenas um time disputando o título, o Corinthians paulista. Esse ano, como de praxe, quem centraliza as lentes e narrativas futebolistas é o Vasco da Gama, enviesando muita espinha de bacalhau na garganta de milhares de torcedores.

O estereótipo utilizado por Marthe e equipe limita 51 milhões de habitantes a um simples e ridículo papel de consumidor da miséria humana. A Veja, mais uma vez, parece desconhecer o público com o qual se comunica. E esquece que esse mesmo público consumidor do “mundo-cão” é responsável por 14% das aquisições da sua própria revista, mais de um milhão de exemplares. Veja só, é mais um exemplo de quem vê o Brasil com a cabeça em Marthe.

Artigo publicado no Observatório de Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=552FDS014

E no blog de Erick Cerqueira

http://pecando.wordpress.com/





Censura vestida de toga

4 08 2009

O AUTORITARISMO VESTE TOGA” (título atribuído pelo Observatório da Imprensa)censura01

A prática jornalística, que há muito anda abalada e atualmente se encontra em estado de desamparo constitucional, pela derrubada da Lei de Imprensa e perda da exigência do diploma para o exercício da profissão, agora revive as repressões ditatoriais por meio da censura prévia imposta pela Justiça.

Na semana passada, dois jornais de grande circulação, O Estado de S. Paulo (SP) e A TARDE (BA), foram obrigados a calar diante de fatos irregulares que incidem em “homens de poder”. Por via judicial, magistrados que pouco se importam com a liberdade de imprensa confiscaram o direito do cidadão à informação, além de demonstrarem simpatia ao regime político tirano com as decisões de retaliação tomadas por cada um.

A fim de blindar os Sarneys, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo e o Portal Estadão, de publicar reportagens contendo informações sobre a operação Faktor, da Polícia Federal, na qual o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, está supostamente envolvido em práticas irregulares. A decisão do desembargador, que estende a proibição aos demais veículos de comunicação, como emissoras de rádio e TV, além de jornais impressos e eletrônicos de todo o país, condena quem utilizar ou citar material publicado por O Estado de S. Paulo, a pagar multa de R$ 150 mil para “cada ato de violação do presente comando judicial”.

Multa diária de R$5 mil

O fato é que na edição de 22/7 o jornal paulista apresentou a transcrição de telefonemas interceptados pela Polícia Federal, com autorização da justiça, que acabou não agradando a muita gente. Na conversa gravada, Fernando, a filha e o vovozão Sarney, acertam secretamente a nomeação do namorado da neta para um cargo no Senado.

Já no caso de A TARDE, o juiz Márcio Reinaldo Brandão Braga, da 31ª Vara dos Feitos de Relação de Consumo, Cíveis e Comerciais da comarca de Salvador vetou quaisquer veiculação de notícias consideradas lesivas à imagem e à honra (?) de um certo desembargador suspeito de envolvimento com vendas de sentenças, fato que vem sendo investigado atualmente em processo administrativo. A surpresa, nesse caso, é que o desembargador em questão, cujo nome a imprensa não pode citar, vem a ser Rubem Dário Peregrino Cunha, homem de reputação um tanto questionável, já que respondeu a processo por falsificação de documento público, falsidade ideológica e estelionato.

Caso o grupo de comunicação baiano descumpra as ordens judiciais do Sr. Braga, terá de pagar multa diária no valor de R$ 5 mil.

censuraO limite ultrajante do poder

Representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), órgãos internacionais de imprensa que lutam pela defesa da liberdade de expressão, como Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), International Federation of Journalists (IFJ) e a ONG Artigo 19, além de inúmeros cidadãos que acompanham os casos, repudiaram o desmembramento judicial de censura aos veículos de comunicação.

Coincidentemente (?), por detrás da toga o autoritarismo estampou sua cara. Mas não cabe a mim (que sou apenas uma jornalista de diploma, e não matelo, na mão) julgar quais os verdadeiros motivos que levaram os magistrados à corrida do “Movimento em Defesa dos Amigos”. Só resta agora a voolta da publicação dos versos de Camões, das tarjas pretas nas colunas onde é proibido informar sobre “os intocáveis”, ou mesmo o fornecimento de receitas de culinária, dada a circunstância de que os profissionais de imprensa, de acordo com o exmo. ministro do STF Gilmar Mendes, exercem funções semelhantes aos cozinheiros.

Eles não sofrem de amnésia e isso temos plena convicção, mas esquecem que o atual regime democrático brasileiro deve ser soberano também no ato de divulgar informações. Se for o caso, o jornal e o jornalista podem até ser processados pelo que publicaram, mas coibidos de revelar os fatos é deveras ascender ao limite ultrajante do poder.

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=550JDB006