Um dia triste na memória do Brasil

8 04 2011

É com grande pesar, que no dia de hoje, cuja data 07 de abril entra na história do Brasil, que retomo a escrita deste blog. Não em exaltação ao Dia do Jornalista, profissional que sou, mas pela tragédia que deixa um grande vazio e indignação na vida de pais, familiares, vizinhos, amigos, colegas e até desconhecidas, como eu, pela morte das 12 crianças que estudavam na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Na manhã de hoje, um franco-louco-atirador, ex-estudante da escola citada, adentrou os portões que deveriam servir apenas de porta de entrada para a educação e matou 12 adolescentes (até então), entre 12 e 15 anos, além de deixar dezenas de feridos e cometer suicídio após o deplorável ato. O momento, cujas palavras não são capazes de explicar é de grande comoção no país. E nem mesmo as elucidações dos Doutores em Psiquiatria, Psicologia ou qualquer outra ciência humana, convidados a expor suas teorias nas emissoras de rádio, TV, sites, entre outros meios de comunicação, puderam nos acalentar ou nos fazer compreender tamanha crueldade.

Ao chegar do trabalho acompanhei pela TV o desespero dos pais, vi crianças amedrontadas, deduzi uma geração com futuro traumático e conheci histórias interrompidas. E mesmo tendo desligado meu aparelho pela teatralidade da notícia, ainda choro a realidade daqueles que não têm mais lágrimas no olhar. Fico a me perguntar como é possível existir seres humanos capazes de tais atrocidades? Porque negar ao outro o direito à vida?

Diante do meu falível pensamento, em que eu achava que atrocidades desse tipo fossem apenas “coisas de norte-americanos”, desmoronei no penhasco do ledo engano. A violência que põe em dúvida nossa condição humana é uma realidade mundial e se espalha pelos continentes como os rastros das pólvoras deixadas pelas duas armas utilizadas pelo assassino-suicida, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos.

No dia de hoje, não foram apenas os 12 adolescentes mais o autor do crime que morreram. Morrem aos poucos também, e principalmente, aqueles que ficaram para contar essa história, aqueles capazes de se indignar pelas atrocidades que o homem é capaz de cometer, embora acreditar na humanidade seja o combustível para superar as perdas, dores, fraquezas e seguir a estrada que nos reconduz à capacidade de achar e querer que tudo vai melhorar. Se dará certo, eu não sei, mas usemos nossas palavras e a compaixão como armas em favor da vida.

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A Páscoa e a prática dos seus sentidos

12 04 2010

“Páscoa é tempo de renovação; de celebrar a ressurreição de Jesus”.

Esta parece ser a definição mais utilizada entre os cristãos para definir o verbete Páscoa. Na prática, a data é celebrada com rituais que vão da participação em missas e cultos, reunião com familiares e amigos, até a troca de ovos de chocolate – que simbolizam o nascimento, a vida, o ressurgimento de Cristo – entre outros hábitos.

Durante a Semana Santa, na tentativa de confraternizar com 34 pacientes, entre crianças, jovens e adultos, vítimas de paralisia cerebral, do Lar Mensageiros da Luz, o Santos Futebol Clube organizou ação beneficente que doaria 640 ovos de Páscoa à instituição. Os ovos seriam entregues pelos próprios jogadores do Santos e a entidade iria vendê-los em um bazar, com o intuito de reverter a renda para manutenção da mesma. Porém, o que muitos não contavam era com a atitude adotada por alguns jogadores do time – contradizendo com os verdadeiros sentidos que a Páscoa traz e refutando a intenção solidária proposta pelo clube esportivo.

Ao chegar ao Lar Mensageiros da Luz jogadores como Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso recusaram-se a entrar na instituição e, inclusive, rejeitaram a possibilidade de desembarcar do ônibus do clube, na qual permaneceram no interior batucando por duas horas. A justificativa dada fora a de que por “decisões religiosas” esses atletas preferiram não participar da ação. Como já era de se esperar, o episódio teve repercussão negativa na imprensa, até mesmo por parte dos torcedores do Santos e admiradores dos craques da bola.

Em entrevista concedida à TV Bandeirantes, os jogadores Neymar e Paulo Henrique mostraram-se arrependidos da atitude e pediram desculpas. “Conversei com o meu pai, e percebi como foi ruim a nossa postura. Por isso, temos que pedir desculpas”, afirmou Neymar, alegando que teve receio de entrar na casa espírita e não se sentir bem diante de algum ritual. “Mas há outro motivo e isso não pode ser dito aqui e tem de ficar fechado no grupo”, concluiu o atacante do peixe.

Já o camisa 7, Robinho, disse por telefone que “Neymar tinha falado demais” e procurou se justificar. “Só ao chegar soubemos que se tratava de um ambiente espírita. Cada jogador tomou a atitude que achou conveniente, e acho que a religião de cada um precisa ser respeitada. Ninguém orientou a gente para que tomássemos essa atitude. Ela foi movida pela religiosidade de cada um. Isso não tem de virar polêmica”, finalizou o atacante alvinegro.

Mas como não virar polêmica um fato com essa dimensão, se até mesmo dentro do clube existem jogadores que divergem da opinião do colega?

Comenta-se que o problema está além do que aparentemente parece ser. De acordo com informações publicadas no site do Estadão este acontecimento fora “a gota d’água para que aflorassem no Santos problemas que estão se arrastando, mas vêm sendo encobertos pelo brilhante desempenho do time” e que a recusa em participar do ato de solidariedade “teria sido uma forma de mostrar insatisfação”. A matéria do jornalista Sanches Filho ainda questiona se “os problemas, entre outros, seriam o atraso do pagamento dos direitos de imagem dos atletas? Se só Robinho estaria recebendo em dia? E o fato de o técnico Dorival Júnior não ter atendido ao pedido de não punir o atacante Madson, que chegou atrasado no treino da manhã de quinta-feira” (01/04) não serem os reais motivos para a reação dos jogadores.

Certo é que problemas sempre irão surgir, em qualquer ambiente, e reivindicar é a forma mais coesa de garantir direitos. No entanto, punir aquelas crianças e jovens deficientes que passaram o dia ansiosos aguardando a chegada dos seus ídolos do futebol não foi uma postura ética. Ao Santos Futebol Clube parabéns pela ação solidária, aos jogadores e corpo técnico que levaram um pouco de alegria a esses jovens fica aqui os meus cumprimentos, porém aos que optaram permanecer no ônibus, mas depois tiveram a humildade de reconhecer o erro cometido torço para que o episódio tenha servido de aprendizado. Contudo, aos que ignoram terem cometido a falta, que Deus em Sua infinita misericórdia os perdoe. Pois, embora a Páscoa tenha passado, a busca pela renovação de nossas práticas deve permanecer cotidianamente.





Pulseira do sexo não deve servir de justificativa para crime

12 04 2010

A mania que virou febre entre as crianças e, principalmente, os adolescentes brasileiros, desde dezembro de 2009, está dando o que falar na grande mídia, embora os blogs sejam os campeões de comentários. As tais “pulseiras do sexo”, como ficaram popularmente conhecidas – utilizadas inicialmente por adultos britânicos em 2006, como uma brincadeira nas casas noturnas – levantou questões polêmicas que vão desde a banalização do sexo na sociedade contemporânea até a iminente proibição do uso e comercialização do acessório.

Em boa parte das escolas brasileiras a proibição na utilização dos braceletes já está vigorando, enquanto em alguns municípios o Poder Público estuda a possibilidade de coibir a comercialização do adorno – a justificativa das autoridades é baseada nas evidências de que as pulseiras do sexo podem ter servido de motivo para práticas criminosas, além de facilitar a ação de pedófilos e tarados. A principal indicação dos atos delituosos está nos crimes ocorridos contra menores. No mês passado, uma adolescente de 13 anos foi estuprada por, pelo menos, três rapazes em Londrina (PR), quando saía da escola, e outras duas foram encontradas mortas no início de abril em Manaus (AM) utilizando as pulseiras.

Compostas por silicone de variadas cores e comercializadas em estabelecimentos que vão desde lojas de grife em shopping centers até barracas de camelô das grandes avenidas e até na porta de escolas, em certos aspectos, o jogo em que estão envolvidas as pessoas que usam a “pulseira do sexo” lembra a “salada mista” – adivinha dos anos 80 que limitava os participantes a trocar selinhos, beijo no rosto, abraço e aperto de mão. No entanto, a versão do século XXI apresenta características mais ousadas e difíceis de serem aceitas por pais, educadores e até profissionais que lidam com o comportamento.

Sem que haja um pedido formal, basta aderir a pulseira plástica para já fazer parte do jogo chamado snap. As regras, essas são ditas pela cor apresentada por cada pulseira. A amarela significa abraço, rosa quer dizer mostrar o peito, laranja expressa dentadinha de amor, roxa é beijo com a língua – talvez sexo, vermelha fica por conta da lap dance – um tipo de dança erótica, verde denota sexo oral a ser praticado pelo rapaz, já a branca, a menina escolhe o que quiser, enquanto azul determina sexo oral a ser praticado pela menina e a preta quer dizer sexo com a menina. Contudo, para receber a “prenda”, como regra do jogo, é necessário arrebentar as tais pulseiras – o que têm causado uma corrida frenética dos meninos atrás das meninas.

Comprovadamente sabemos que a sexualidade se inicia ainda na infância e se intensifica na adolescência, principalmente, por conta das mudanças corporais e hormonais – foi assim com quem já passou dessa fase e será assim para quem ainda não a alcançou. A pulseira do sexo se estabeleceu como um meio para o contato com o sexo oposto (ou mesmo com pessoas do próprio sexo), porém o uso das pulseiras não deve ser interpretado como motivo para práticas violentas. Ninguém é obrigado a fazer sexo com quem não quer. Se o for está caracterizado abuso sexual e o acusado deve ser responsabilizado por seus atos.

Para minimizar e até evitar futuros transtornos, os pais devem manter o diálogo constante com seus filhos e alertá-los sobre os riscos a que podem estar expostos, bem como os educadores devem instruir os estudantes sobre assuntos que contribuem para formação individual e coletiva. Entretanto, embora sexualmente apelativo, e respeitando as divergentes opiniões e decisões alheias, acredito que o jogo das pulseiras do sexo não deva servir de motivo para justificar crimes. Seria o mesmo que apresentar desculpas de um homem que abusou sexualmente uma mulher por ela ter usado uma saia ou um short curto com blusa decotada. Quem pratica um crime, principalmente contra a vida, é um delinqüente infrator que tem ou não distúrbios psicológicos e que deve ser tratado pelas autoridades e descrito pela imprensa como a pessoa que verdadeiramente é: um(a) criminoso(a).





VEJA só: o Nordeste na Mídia

26 08 2009

O NORDESTE NA MÍDIA, PRECONCEITO E ESTEREÓTIPO” (título atribuído pelo Observatório da Imprensa)

Por Mônica França e Erick Cerqueira
Não importa se modelo associativo ou padrão pré-estabelecido. “Usado principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade”, o uso do estereótipo é motivado, sobretudo, pelo preconceito e discriminação, como consta seu significado na enciclopédia digital, Wikipédia.Tomando como base o substantivo em questão, quando o jornalista Marcelo Marthe escreve no texto em que assina (edição 2124, 08/08, revista Veja) que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino” e que isso “se explica pelos altos índices de criminalidade da região”, em outros termos e bastando um pouco de discernimento, ele está criando um estigma preconceituoso acerca dos mais de 51 milhões de habitantes dos quase 1.800 municípios existentes nessa região.Para entender melhor nosso ponto de vista, voltemos um pouco ao texto de Marthe – que contou com a colaboração das reportagens dos jornalistas Leonardo Coutinho, Luciana Cavalcante, Fernanda Guirra, José Edward, Igor Paulin e Bruno Meier. Nas informações, o jornalista se utiliza dos termos generalistas para tentar explicar as hipóteses içadas sobre a quantidade de programas “policialescos” exibidos no Nordeste, em especial, o “expoente da baixaria baiana” Se Liga Bocão – citado como um dos exemplos, dentre as “aberrações” geradas pelas “produções regionais”.

Ranking de homicídios

Seguindo a contramão das “produções nacionais das grandes redes”, Marthe diz que a apreciação do nordestino ao estilo citado, exibido dentro do horário que atinge os maiores índices de Ibope na programação das TVs locais, é tida por “horário nobre” dos sítios e que isso faz parte da “tradição que remonta à era cenozóica da TV”. Ou seja, os velhos hábitos dos truculentos matutos e flagelados do Nordeste… Eis a chancela discriminatória evidente nas entrelinhas.

O jornalista não conseguiu esconder e deixou escapar sua verdadeira intenção ao traduzir que tal relação pitoresca entre o meio difusor e o expectador nordestino não passam de uma combinação entre baixa qualidade nas produções televisivas e as poucas faculdades intelectuais de um povo.

Um interessante flagrante de contradição da escrita pode ser visto quando Marthe se refere ao nordeste01programa Sem meias palavras, apresentado pelo repórter Givanildo. Em um mesmo parágrafo o autor cita que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino. Isso se explica pelos altos índices de criminalidade da região”. Em seguida, diz que “as reportagens sobre um certo bêbado Jeremias e sobre o cachorro que faz sexo com uma garrafa pet transformaram Givanildo Silveira em hit no YouTube”. Será que a Google sabe que o seu produto, o Youtube, é assistido apenas por uma fatia do mercado brasileiro? Os nordestinos? Buemba, buemba como diria Simão. O esdrúxulo, caro Marthe, é sucesso em todo o país e no mundo.

Um levantamento da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) traz uma informação estarrecedora, talvez para os jornalistas – inclua-se aí o editor – da revista Veja:

“A cidade de Coronel Sapucaia (MS) tem a taxa média de homicídios mais alta do país, com 107,2 mortes para cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, a cidade de São Paulo lidera o ranking, com 2.546 homicídios (taxa 23,7), seguida pelo Rio de Janeiro, com 2.273 (37,7).”

Um papel simples e ridículo

É incrível o que revela essa pesquisa, visto que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Coronel Sapucaia não fazem parte do “mundo-cão” que assola o Nordeste, mas estão com os maiores índices de criminalidade do país. Para piorar a situação do jornalista de Veja, que parece não ver a realidade da pátria em que vive (se é que ele ainda acredita que SP e RJ fazem parte do Brasil), um dos programas mais popularescos da TV, citado por ele próprio na reportagem, foi “exportado” do Nordeste para as capitais sulistas. O Balanço Geral, do sr. Raimundo Varela. O que existe, segundo informações do IBGE, é um aumento substancial do poder de compra das classes menos favorecidas nos últimos anos. Com isso, criar programas que agradem as classes C, D, e E (que são a maioria nacional) é alvo mercadológico que simboliza lucro. Somente a classe C ocupa aproximadamente 44% dos consumidores brasileiros, colocando-os na mira dos especialistas de mercado.

Muitas empresas de bens e serviços já voltaram suas estratégias e campanhas de marketing para as novas classes de poder. E quem não aderiu ao segmento, logo estará criando perspectivas substanciais para atrair quem está inserido na maior parte da população brasileira consumidora. Essa informação, não presente no texto da Veja, acaba por tornar-se um empecilho para credibilidade de tanta verborragia desnecessária.

As falácias deflagradas em preconceito pela grande mídia acerca do Nordeste e dos nordestinos são recorrentes na história da imprensa e a elas somam-se as evidências de um crime prescrito. É assim na política, no futebol e em todas as outras áreas. A título de exemplo, na segunda divisão do ano passado, do campeonato de futebol brasileiro, parecia ter apenas um time disputando o título, o Corinthians paulista. Esse ano, como de praxe, quem centraliza as lentes e narrativas futebolistas é o Vasco da Gama, enviesando muita espinha de bacalhau na garganta de milhares de torcedores.

O estereótipo utilizado por Marthe e equipe limita 51 milhões de habitantes a um simples e ridículo papel de consumidor da miséria humana. A Veja, mais uma vez, parece desconhecer o público com o qual se comunica. E esquece que esse mesmo público consumidor do “mundo-cão” é responsável por 14% das aquisições da sua própria revista, mais de um milhão de exemplares. Veja só, é mais um exemplo de quem vê o Brasil com a cabeça em Marthe.

Artigo publicado no Observatório de Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=552FDS014

E no blog de Erick Cerqueira

http://pecando.wordpress.com/





Censura vestida de toga

4 08 2009

O AUTORITARISMO VESTE TOGA” (título atribuído pelo Observatório da Imprensa)censura01

A prática jornalística, que há muito anda abalada e atualmente se encontra em estado de desamparo constitucional, pela derrubada da Lei de Imprensa e perda da exigência do diploma para o exercício da profissão, agora revive as repressões ditatoriais por meio da censura prévia imposta pela Justiça.

Na semana passada, dois jornais de grande circulação, O Estado de S. Paulo (SP) e A TARDE (BA), foram obrigados a calar diante de fatos irregulares que incidem em “homens de poder”. Por via judicial, magistrados que pouco se importam com a liberdade de imprensa confiscaram o direito do cidadão à informação, além de demonstrarem simpatia ao regime político tirano com as decisões de retaliação tomadas por cada um.

A fim de blindar os Sarneys, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal O Estado de S. Paulo e o Portal Estadão, de publicar reportagens contendo informações sobre a operação Faktor, da Polícia Federal, na qual o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, está supostamente envolvido em práticas irregulares. A decisão do desembargador, que estende a proibição aos demais veículos de comunicação, como emissoras de rádio e TV, além de jornais impressos e eletrônicos de todo o país, condena quem utilizar ou citar material publicado por O Estado de S. Paulo, a pagar multa de R$ 150 mil para “cada ato de violação do presente comando judicial”.

Multa diária de R$5 mil

O fato é que na edição de 22/7 o jornal paulista apresentou a transcrição de telefonemas interceptados pela Polícia Federal, com autorização da justiça, que acabou não agradando a muita gente. Na conversa gravada, Fernando, a filha e o vovozão Sarney, acertam secretamente a nomeação do namorado da neta para um cargo no Senado.

Já no caso de A TARDE, o juiz Márcio Reinaldo Brandão Braga, da 31ª Vara dos Feitos de Relação de Consumo, Cíveis e Comerciais da comarca de Salvador vetou quaisquer veiculação de notícias consideradas lesivas à imagem e à honra (?) de um certo desembargador suspeito de envolvimento com vendas de sentenças, fato que vem sendo investigado atualmente em processo administrativo. A surpresa, nesse caso, é que o desembargador em questão, cujo nome a imprensa não pode citar, vem a ser Rubem Dário Peregrino Cunha, homem de reputação um tanto questionável, já que respondeu a processo por falsificação de documento público, falsidade ideológica e estelionato.

Caso o grupo de comunicação baiano descumpra as ordens judiciais do Sr. Braga, terá de pagar multa diária no valor de R$ 5 mil.

censuraO limite ultrajante do poder

Representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), órgãos internacionais de imprensa que lutam pela defesa da liberdade de expressão, como Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), International Federation of Journalists (IFJ) e a ONG Artigo 19, além de inúmeros cidadãos que acompanham os casos, repudiaram o desmembramento judicial de censura aos veículos de comunicação.

Coincidentemente (?), por detrás da toga o autoritarismo estampou sua cara. Mas não cabe a mim (que sou apenas uma jornalista de diploma, e não matelo, na mão) julgar quais os verdadeiros motivos que levaram os magistrados à corrida do “Movimento em Defesa dos Amigos”. Só resta agora a voolta da publicação dos versos de Camões, das tarjas pretas nas colunas onde é proibido informar sobre “os intocáveis”, ou mesmo o fornecimento de receitas de culinária, dada a circunstância de que os profissionais de imprensa, de acordo com o exmo. ministro do STF Gilmar Mendes, exercem funções semelhantes aos cozinheiros.

Eles não sofrem de amnésia e isso temos plena convicção, mas esquecem que o atual regime democrático brasileiro deve ser soberano também no ato de divulgar informações. Se for o caso, o jornal e o jornalista podem até ser processados pelo que publicaram, mas coibidos de revelar os fatos é deveras ascender ao limite ultrajante do poder.

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=550JDB006





Gênio Bosco: o Som do Brasil

2 07 2009

joãoboscoNum ritmo pra lá de diferente do que os nordestinos estão acostumados a ouvir no mês de junho – aqueles deliciosos forrós pé-de-serra que embalam os festejos juninos –, no dia 26/06, subiu ao palco do programa Global Som Brasil o fascinante (para citar apenas um adjetivo) cantor e compositor João Bosco.

Com muita maestria, o cantor apresentou algumas de suas memoráveis canções ao lado da equiparável estrela Zizi Possi. Canções como Dois pra lá, Dois pra cá e O Bêbado e o Equilibrista que fizeram (e ainda fazem) enorme sucesso na interpretação de Elis Regina ganharam um tom melódico quase flutuante, pela leveza virtuosa que soavam da voz e do violão de Zizi com João.

Não bastasse tamanho prazer em ouvir os dois ídolos da Música Popular Brasileira, o programa ainda contemplou a nós telespectadores com os músicos Elisa Paraíso (interpretando Bijuterias, Bala com Bala e Caça a Raposa), Zé Renato (com os sucessos Kid Cavaquinho, De Frente pro Crime e Papel Machê) e Leandro Sapucahy (cantando Incompatibilidade de Gênio, Mestre Sala dos Mares e Ronco da Cuíca).

As melodias ritmadas pela maneira intrínseca de cada artista apresentar, transformou o palco, cenários, figurinos, iluminação e equipamentos de som em um afinado conjunto singular de habilidades (difícil até mesmo de compreender como algo conjunto pode ser ímpar ao mesmo tempo, mas o foi). Era a arte viva, além dos limitados significados Aureliano.

Mas o tinhoso Gênio Bosco ainda nos reservava outra surpresa. Deu um show a parte com o violonista e compositor Yamandu Costa, que “rasgou” de maneira espetacular os embalos da madrugada. Aquela altura (pois o Som Brasil começou após o programa do Jô, por volta das 2h da madrugada) já estava com meus sentidos em Linha de Passe, como a música que cantavam. Por quase quatro minutos mantive meus olhos fixos no plasma sem saber se era o violão que cantava ou o clamor de João Bosco que “violava” o tempero da canção. Só fui interrompida da admiração que dedicava quando me percebi aplaudindo os músicos, de pé, pelo lado de cá da telinha.

Valeu a pena deixar o edredom a minha espera. O Som Brasil mostrou que entreter não recai em subestimar o público com programação de desvio intelectual. Parabéns a Rede Globo pelo belíssimo espetáculo produzido. E por favor, eu também preciso dormir para enfrentar a maratona de arraias pelo interior da Bahia. 2h da manhã, só mesmo Gênios Boscos pra fazer meu olho não grudar.





Michael Jackson: A Vida e a Morte na Mídia

2 07 2009

michael-jacksonO gênio do pop internacional, ovacionado pelo mundo por suas inquietações e inovações artísticas que o colocavam à frente do seu tempo, e que transformou o mercado fonográfico com os milionários vídeo-clips que ditavam padrões estéticos na década de 80 – considerados, inclusive, divisor de águas das produções audiovisuais contemporâneas – foi também a atração número um da mídia.

Este, que foi brilhante nos palcos e arrastou consigo uma legião de fãs em todos os continentes, também preencheu os noticiários com os espetáculos e performances ímpares (como o inesquecível moonwalker que desbancava qualquer imitador despreparado), bem como se tornou foco da imprensa na cobertura dos escândalos sobre denúncias de pedofilia, que o fizeram gastar fortunas com indenizações e fianças, além das diversas polêmicas, ora envolvendo a revelação de que sofria agressões físicas na infância pelo pai, ora pela brancura da pele, cirurgias plásticas e dívidas que o levaram à falência.

Como não seria diferente, após 50 anos de vida (retirando destes 45 só de carreira artística), morre subitamente levantando do túmulo diversas especulações a respeito da sua morte. São tantas as hipóteses içadas sobre o falecimento do astro que não seria improvável aos médicos-legistas confundirem o diagnóstico do resultado da autópsia, ou mesmo errar a causa que aponta para a overdose de drogas, que inevitavelmente causou-lhe uma parada cardíaca.

Porém, certeza mesmo, só a cifra que está sendo movimentada no mercado cultural midiático e fonográfico a cerca dos tantos assuntos referentes ao astro pop. É assunto que dá para alimentar dezenas de gerações que vierem por aí.

Os jornais estão vendendo a torto e direito, assim como as edições especiais de revistas, CDs e DVDs do músico não param de esgotar os estoques. As TVs, nem se fala. O índice de audiência dispara quando o tema é o cantor. E as rádios tocam suas canções a cada minuto. É uma canção de Michael alternando a canção de outro músico. Desde o trágico dia 25/06, não há espaço suficiente para as notícias referentes ao alastramento da gripe suína no país que está fazendo mais vítimas, nem para a morte da “pantera” Farrah Fawcett que veio a óbito no mesmo dia do “Rei do Pop” e, tão pouco, para a crise instalada no Senado que pede o afastamento imediato do presidente da Casa, José Sarney, devido às recentes descobertas de irregularidades administrativas.

É chegada a notícia

Confesso ter sido pega de surpresa sobre a morte de Jackson, na madrugada de 25 para 26 de junho. Pois, por opção, mantive-me isenta dos “embrulhos” que a TV dominical me proporciona. Até que um filho de Deus me ligou informando do ocorrido. Quase mato (no sentido figurado da palavra) aquele que interrompeu meus sonhos para transformá-los em pesadelos – a morte é sempre assustadora e a cara de Michael nos últimos tempos tem sido mais ainda. Não dava mais para dormir com a imagem transfigurada de Michael Jackson penetrando meu juízo. Levantei, vi a notícia correndo pelos blogs quando procurava pela informação nos sites de busca, dei-me por satisfeita e voltei para cama.

No dia seguinte à morte do ídolo norte-americano, como já era de se esperar, lá estava ele mudando a programação habitual dos veículos. Em dado momento, fixei a TV no canal Multishow (a TV paga do grupo Globo) e para surpresa maior desta que nunca teve o astro pop como ídolo, mas reconhece o trabalho magnífico executado por ele e ressentia o falecimento inesperado, fiquei pasma com a “homenagem” póstuma dedicada pela emissora. O nome do programa, não sei, porque não acompanhei do início, mas se minha memória anda boa tanto quanto minha língua afiada, acima do vídeo tinha em letras brancas garrafais os seguintes dizeres: “OS PIORES MOMENTOS DA VIDA DE MICHAEL JACKSON”.

Conduta apelativa

De arrepiar até mesmo os cabelos implantados do popstar. Um documentário inteirinho dedicado às mazelas da vida do cantor. Parecia até matéria de gaveta, pronta para disparar no momento mais oportuno. Mas justo quando ainda muitos recebiam a notícia da morte do astro e outros tantos faziam vigília para ele ou estavam de luto? O que é que é isso? Haja falta de bom senso.

Não dá para encarar que Michael Jackson viveu apenas de momentos gloriosos, mas destacar apenas os aspectos negativos vividos por este que foi o Rei do Pop, com enxurradas de notícias assombrosas, se não for apelação para atingir altos índices de Ibope, seria o que?

Pelo visto, ninguém está a salvo da conduta apelativa dos meios de comunicação em busca da audiência desenfreada que faça perpetrar o tilintar de suas máquinas registradoras. Nem mesmo quem compromete parte do orçamento mensal em TV por assinatura – onde acreditava ser a escapatória de assuntos vis – está protegido da moléstia midiática.

 

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=545FDS009

No site Alai Online 

http://www.alaionline.org/artigo_michael.htm

E no site da Fundação Cultural CA&BA

http://www.caeba.org.br/site/index.php/page/artigos/id/22