Adolescentes vítimas de homicídio são também vítimas de descaso público

25 07 2009

Em um país de contrastes naturais e desigualdades sociais como o Brasil, a falta de políticas públicas de combate a violencia01violência evidencia a fragilidade a que estão expostos os adolescentes brasileiros, mesmo em Regiões do País consideradas mais desenvolvidas.

Em pesquisa apresentada dia 21 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SPDCA/SEDH), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência (LAV/UERJ), o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) revelou o alto risco de mortalidade por homicídio contra adolescentes, indicando o valor médio de 2,03 pessoas, entre 12 e 18 anos, assassinadas no Brasil, a cada grupo de 1.000 indivíduos, nos 267 municípios, com mais de 100 mil habitantes avaliados.  O diagnóstico resultante dessa estimativa mostrou-se bastante assustador, haja vista que uma sociedade para ser considerada não violenta deve apresentar valores próximos de 0 (zero).

O município que lidera o topo do ranking de maior IHA é Foz do Iguaçu (Paraná), com valor bem acima da média nacional, indicando 9,7 adolescentes mortos por homicídio, seguidos de Governador Valadares (Minas Gerais) com IHA de 8,5 e Cariacica (Espírito Santo) com 7,3. Entre as capitais, Maceió ficou em primeiro lugar, apresentando IHA de 6,03 e Salvador apareceu em décima posição, com 2,24 adolescentes vitimados. No conjunto dos 267 municípios com mais de 100 mil habitantes, o número total estimado de vidas de adolescentes que serão perdidas, num período de sete anos, a partir de 2006, é de 33.504 jovens.

Ainda de acordo com a pesquisa, avaliações complementares mostraram que, embora a violência letal contra adolescentes seja grave, o impacto dos homicídios continua subindo até atingir o seu pico na faixa de 20 a 24 anos. Entretanto, a análise dos responsáveis pela investigação indica que as políticas públicas devem contemplar idades anteriores, pois as dinâmicas que levaram à perda de vidas dos adolescentes provavelmente se iniciaram em faixas etárias anteriores, como a adolescência.

Diante do quadro gravemente preocupante, mais inquietante é a afirmativa que parte da instância maior de poder público no País. Em entrevista no Itamaraty, o presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, admitiu a falta de políticas públicas para reduzir os índices de homicídio entre os jovens e atestou que a solução para o problema está na educação. Disso, com todo o respeito e toda a certeza, nenhum leigo tem dúvida. Mas o que abre espaço para especulação é o fato de oito anos no poder não ter sido tempo hábil para criação de programas voltados para este sentido – de preservação da adolescência, por meio da educação e outras ações de combate a violência. Isso sim é realmente indigno de compreensão.

Paralelo a este terrível fato que vem a agonizar milhares de pais pelo Brasil adentro, no mesmo dia da divulgação do IHA na imprensa, cerca de 50 alunos do Colégio Estadual Bolivar Santana, localizado no Centro Administrativo da Bahia (CAB), manifestaram-se e protestaram em frente à Secretaria de Educação do Estado (SEC), exigindo escola de qualidade e reclamando a falta de professores, já que desde o início do ano letivo não há aulas de física, pela falta de um profissional, além de denunciarem a carência de docentes em ciências e artes laborais, no curso noturno, e os problemas de estrutura física da unidade de ensino.

Mas se esse fosse o único colégio com deficiências estruturais e de ensino a comprometer a vida escolar do aluno… E ainda falam que o investimento neste setor é “extraordinário”, com vistas a “recuperar a juventude brasileira”, novamente o Sr. Lula em entrevista no Itamaraty.

É triste pensar em ter de “recuperar a juventude” quando podíamos ainda na infância promover ações eficazes e eficientes para instruir crianças e construir seres mais íntegros, tolerantes e conscientes do seu papel social.

Outras análises do IHA mostram que a probabilidade de ser vítima de homicídio é quase doze vezes superior para o sexo masculino comparado com o feminino, e mais do dobro para os negros em comparação com os brancos, sendo que a maior parte dos homicídios é cometida com arma de fogo, o que frisa a importância do controle de armamento dentro das políticas de redução da violência letal, segundo a pesquisa.

Pois, bem. Não percamos de vista que 2010 vem aí. O presidente da República e todos os outros representantes do povo precisam fazer valer a confiança dos eleitores. O que queremos é sem dúvida mais ação, ao invés de corrupção.

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Ex-prefeitos baianos não conseguem driblar o TCU

17 07 2009

justiçaNa última segunda, 13, o jornal A TARDE noticiou que três ex-prefeitos baianos foram condenados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver aos cofres do Tesouro Nacional o dinheiro que não havia sido comprovado devidamente, quanto ao uso.

Entre os acusados estão Joseph Wallace Faria Bandeira, ex-prefeito de Juazeiro (de 1989 – 1992 e 2001 – 2004) e atual deputado federal pelo PT; Álvaro Veloso Bessa, ex-gestor de Santo Antônio de Jesus pelo PP (entre 2001 e 2004); e, Paulo Rodrigues de Oliveira, ex-prefeito de Serrolândia pelo PTB (2001 – 2004).

No Acórdão 3584/2009, Joseph Bandeira não prestou contas do uso de R$ 117 mil transferidos ao município pelo Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) entre 2002 e 2003. O dinheiro era destinado ao Programa Sentinela, que atende a crianças e adolescentes vítimas de abusos, especialmente pela exploração sexual. O ex-prefeito e atual deputado foi condenado a devolver aos cofres públicos R$ 311.806,59, valor atualizado do montante repassado pelo MPAS, e ainda a pagar uma multa de R$ 5 mil.

O ex-prefeito Álvaro Bessa, não prestou contas do uso de R$ 88.014 mil repassados ao município pelo Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) em doze parcelas iguais entre março de 2003 e fevereiro de 2004. A quantia deveria ter sido aplicada no Programa de Apoio à Criança Carente em Creche e no Programa de Apoio à Pessoa Idosa do município. Com a decisão do Acórdão 3591/2009, Bessa foi condenado a devolver aos cofres públicos R$ 167.886,34 (o que equivale ao valor repassado acrescido de juros) e ao pagamento de multa de R$12 mil.

Já Paulo Rodrigues de Oliveira, prefeito de Serrolândia, julgado pelo Acórdão 1314/2009, terá de devolver R$ 59.296,39 (valor corrigido) e pagar multa de R$4 mil por não ter prestado contas do uso de R$ 29.539,90 repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) entre abril e dezembro de 2004. Esse valor deveria ter sido aplicado no Programa de Apoio ao Sistema de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos no município.

Somados, os valores alcançam R$264 mil. Porém, nos três casos, cabe recurso das decisões.

Bom, avaliando o período em que esses senhores foram prefeitos dos municípios baianos referidos, o que chama atenção no caso é o tempo gasto pela Justiça para condenar as ilegalidades administrativas procedentes dos ex-gestores públicos. Porque tanta demora em julgar os prefeitos que tiveram suas contas rejeitadas, antes mesmo de saírem das sedes municipais? Hipoteticamente, seria a velha morosidade? E ainda cabe recursos dos fraudulentos…





“Louvado seja o dízimo dos pastores”

17 07 2009

“Louvado seja o sagrado dízimo dos afortunados pastores das Igrejas dizimo02Evangélicas”. Essa deve ser uma das frases mais recorrentes ditas entre os usurpadores de receitas alheias que se infestaram no Brasil, quando vão contabilizar seus preciosos dízimos – aliás, equivalente a essas igrejas só mesmo o Governo com suas honorárias cargas tributárias e impostos inventados a cada ano.

Concorrentes diretas da Igreja Católica, as igrejas evangélicas, salvo raras exceções, são as maiores detentoras de bens e patrimônios do país no segmento da fé, em especial, a Universal e a Renascer em Cristo – esta última patrocinada oficialmente pelo segundo mais bem pago jogador de futebol do mundo, Kaká.

Sabe-se lá em que pilar está sustentado a abnegação aos bens materiais, que o diga minha pobre avó, de 82 anos, que há quase duas décadas doa 10% de todos os seus rendimentos para esta aliança chupa-cabras, dita igreja.

Seja por meio do dízimo obrigatório, da oferta ou através da contribuição via boleto bancário de associada que chega mensalmente à sua residência, a primeira coisa que a minha velhinha (maneira carinhosa como costumo chamá-la) faz é separar a parte que cabe à igreja. Até mesmo o dinheiro dos paninhos de prato e toalhas de mãos que ela borda para vender vão parar nos cofres dos estabelecimentos divinos. Isso para não citar a restituição do Imposto de Renda, pago no último lote, que também teve seu desfecho final em uma dessas “catedrais da fé”, que “em nome de Jesus” resultarão em facilitar aos pastores e pastoras cumprirem suas missões na Terra.

Questionada por mim sobre o porquê de doar tanto dinheiro a igreja, ela apenas me disse que “está escrito na Bíblia. É a palavra do Senhor. Quem não dá o dízimo não recebe a bênção”, como concluiu com aquele seu jeitinho sereno e humilde de ser.

Com um misto de sentimentos, entre raiva e curiosidade, fui averiguar qual passagem do “livro sagrado” constava a afirmativa da minha avó. Para minha surpresa e revolta, pois a Bíblia nada mais é do que um artigo produzido e confeccionado por homens, de acordo com os interesses da época, constava várias passagens sobre a entrega do tributo.

Só para citar alguns, dentre os 44 versículos que tratam do tema em questão:

 

Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem. (Deuteronômio 26:12)

Inclua-se aí os pastores também.

 

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. (Malaquias 3:10)

Ai de quem não der o dízimo, nenhuma graça será alcançada.

 dizimo01

 

Após consultar a Bíblia Online (www.bibliaonline.com.br) decidi, então, por a lógica em prática. Suponhamos a seguinte situação. Se uma pessoa tem renda mensal de R$ 1.000 e desses 10% vai para o dízimo, contribui com R$ 10 de oferta (pode ser qualquer outro valor) e paga R$ 30 para ser associada – sendo que este é o valor exato que um associado deve pagar – então, no ano ela contribui com R$ 1.680 para a igreja, em 20 anos a quantia doada será de R$ 33.600. Com uma boa aplicação na caderneta de poupança, com certeza, esse dinheiro geraria um ótimo rendimento.

Fico a pensar que tipo de lavagem cerebral é essa que pessoas mesmo de baixa renda, com muitas necessidades e dificuldades, entregam seu suado dinheiro aos cofres dos auto-aclamados “representantes de Deus” na Terra? Acaso esses fiéis estão tentando assegurar-lhes alguma coisa em vida ou na pós-vida? Ou será que estão acuados com alguém(ns), mesmo que de forma inconsciente?

Encarnada com espécies de ¹pastores-psicanalistas que levam milhares de pessoas à regressão de mentalidade e hábitos retrógrados, e ²pastores-mágicos que, semelhantes aos abracadabras de filmes hollywoodianos, apontam suas mãos em direção aos “manifestados” e tiram deles demônios, transportando-os sabe lá Deus para onde (se é que o próprio Deus sabe), essas empresas usurpadoras que pregam a crença no “Senhor” através da contribuição financeira mensal não passam de tiranas disfarçadas, com vistas ao enriquecimento próprio e muitas vezes ilícito.

Mas é chegado o Dia do Juízo Final e até lá quero apenas crer que Deus, em Sua infinita sabedoria, não fará vistas grossas a esse bando de sanguessugas que hei de ver barrados na porta do Reino dos Céus.

 

__________________________

[1] Que me perdoem os psicanalistas, profissionais que desenvolvem seus trabalhos de maneira séria, com o intuito de colaborar com o desenvolvimento da humanidade.

[2] Que também me perdoem os mágicos que a todos nós enche de alegria e surpresas, decorrentes das habilidades que desenvolvem ao longo da vida, para trazer-nos mais encantamento.





Bahia cai no gosto do mosquito da dengue

10 07 2009

dengue02Diferente do restante do Nordeste, a Bahia é (vergonhosamente) o único estado da região com registro de casos de dengue superior a média nacional.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Saúde, no dia 9 deste mês, o número de ocorrências da dengue que era de 31.132 (entre 1º de janeiro e 13 de junho de 2008) saltou para 92.420 casos no mesmo período deste ano. As cidades mais atingidas pela doença foram Itabuna (5.969), Jequié (6.916), Ilhéus (1.626), Feira de Santana (859) e Salvador (160).

O Estado baiano juntamente com Acre, Roraima, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso correspondem com 56% do total de casos de dengue no País.

Segundo informações do jornal A TARDE, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, atribuiu a responsabilidade pelo aumento nos índices da doença aos gestores municipais. “A falta de continuidade nas políticas municipais por conta das eleições contribuiu para o agravamento da situação. Não se pode deixar de manter a continuidade do combate ao vetor. Agora, a Bahia terá de trabalhar em dobro”, concluiu o ministro.

Na tentativa de conter o avanço da doença na Bahia, o ministro anunciou que irá repassar um adicional de R$ 9,47 milhões no recurso de teto financeiro de Vigilância em Saúde e reforço na divulgação de informações sobre o mosquito.

Triste Bahia… E agora Srs. prefeitos? O mosquito lhes agradece pelo mau trabalho desenvolvido.

Espero apenas que as medidas adotadas pela “prefeitura de um novo tempo” (e extensão aos gestores dos outros municípios), no combate a focos de dengue, não seja ordenando que se aterrem lagos e leitos de rios, como a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Habitação e Meio Ambiente tentou fazer semana passada na via que intermediará o acesso da Avenida Paralela a orla marítima.





Pandemia ataca o Congresso Brasileiro

10 07 2009

congresso01Não há vírus mais devastador se alastrando na história do Congresso Brasileiro do que o chamado Corrupção (H-TODOS-RARA-EXCESSÃO). Este, que se propaga a cada acordo, nova posse, sucessão ou, mesmo, quando os gatunos se reúnem e tomam decisões para auto-beneficência na calada da noite ataca direita, esquerda, meio-termo, maria-vai-com-as-outras, não-sei-o-que-faço-aqui, enfim, todos aqueles desprovidos de honestidade, integridade e compromisso para com seu povo.

 

[Só abrindo um pequeno parêntese, na verdade um colchete, corrupto é um crustáceo decápode (aquele coberto por uma carapaça), que pertence a família Callianassidae… tem esse nome pois não aparece e é difícil de capturar – seria essa a origem do nome tão utilizado para fazer referência aos políticos? Ao menos é bastante sugestiva essa explicação da Wikipédia].

 

Seguindo o viés desta funesta saga contagiosa, parece que o falecido senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), em uma de suas infinitas manobras políticas, também deixou aos contribuintes dos cofres públicos resquícios do legado viral.

congresso05De acordo com as denúncias do Estado de São Paulo, em 1997, sob gestão de ACM, contas secretas foram criadas para custear os planos de saúde dos funcionários do Senado. Agora, bode expiatório ou não, o principal acusado e já processado de improbidade administrativa e ¹prevaricação pela Comissão de Fiscalização e Controle do Senado é o ex-diretor-geral da Casa, Agaciel Maia – afastado do cargo que ocupou por 14 anos.

Durante o período em que esteve à frente da direção, estima-se que cerca de R$ 160 milhões foram movimentados por Agaciel Maia sem que se saiba o verdadeiro paradeiro da quantia, pois esta não foi oficialmente submetida ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e, também, mais de 660 decisões foram sigilosamente acolhidas.

Outro servidor que desocupou a função no Legislativo por conta do envolvimento nas denúncias administrativas foi João Carlos Zoghbi, ex-diretor de Recursos Humanos. Quanto a participação dos distintos senadores que passaram pela dinastia Maia – Jader Barbalho, Renan Calheiros, Garibaldi Alves, além de ACM e José Sarney, atual presidente do Senado, que anda com o dedo metido na ferida mais que qualquer outro – em atos clandestinos e ilícitos, ainda é um mistério.

Mas, pior do que as bombas que estão vindo à tona e sendo expostas pela mídia é saber que de todos os presidentes que passaram por esta Casa nos últimos 14 anos, somente o atual será julgado. A bola da vez, Sarney. Ou seja, vamos ficar de platéia assistindo a absolvição do restante da corja pela condenação em primeira instância do Sr. Agaciel Maia.

Segundo o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), o Sr. Maia possuía em seu gabinete uma passagem secreta que servia como uma espécie de “quarto”, onde o mesmo se reunia para “encontros íntimos” dentro do Senado Federal Brasileiro. O cômodo possuía, inclusive, material pornográfico, camisinhas, um sofá e telão.  Se esse vírus de que congresso04falo sofrer mutação e se tornar sexualmente transmissível, aí, então, o país que está em segundo lugar no ranking dos países que mais pratica sexo no mundo deverá ficar em alerta pandêmico nível máximo.

Nossa democracia do “salve-se quem puder” está em condição latente de repugnância. São contas secretas, atos ilícitos, mansões e castelos não declarados, nepotismo, tráfico de influência, suborno, propina, superfaturamento, apropriação de bens e serviços públicos, lavagem de dinheiro, extorsão, esquemas fraudulentos (que ufa…), dão até para tirar o fôlego e minimizar a ação de anticorpos daqueles que buscam a Casa Legislativa para resguardar os direitos dos cidadãos.

Será que alguém conhece um antídoto contra tamanha bandidagem histórica?

E só para concluir com uma boa dose de reflexão: “o cidadão brasileiro tem medo do futuro, o político do passado”, como advertiu Joelmir Betting, dia 10/07, no Jornal da Band.

 

¹Prevaricação: crime praticado por funcionário público contra a administração em geral que consiste em retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.

FONTE: WIKIPÉDIA





Gênio Bosco: o Som do Brasil

2 07 2009

joãoboscoNum ritmo pra lá de diferente do que os nordestinos estão acostumados a ouvir no mês de junho – aqueles deliciosos forrós pé-de-serra que embalam os festejos juninos –, no dia 26/06, subiu ao palco do programa Global Som Brasil o fascinante (para citar apenas um adjetivo) cantor e compositor João Bosco.

Com muita maestria, o cantor apresentou algumas de suas memoráveis canções ao lado da equiparável estrela Zizi Possi. Canções como Dois pra lá, Dois pra cá e O Bêbado e o Equilibrista que fizeram (e ainda fazem) enorme sucesso na interpretação de Elis Regina ganharam um tom melódico quase flutuante, pela leveza virtuosa que soavam da voz e do violão de Zizi com João.

Não bastasse tamanho prazer em ouvir os dois ídolos da Música Popular Brasileira, o programa ainda contemplou a nós telespectadores com os músicos Elisa Paraíso (interpretando Bijuterias, Bala com Bala e Caça a Raposa), Zé Renato (com os sucessos Kid Cavaquinho, De Frente pro Crime e Papel Machê) e Leandro Sapucahy (cantando Incompatibilidade de Gênio, Mestre Sala dos Mares e Ronco da Cuíca).

As melodias ritmadas pela maneira intrínseca de cada artista apresentar, transformou o palco, cenários, figurinos, iluminação e equipamentos de som em um afinado conjunto singular de habilidades (difícil até mesmo de compreender como algo conjunto pode ser ímpar ao mesmo tempo, mas o foi). Era a arte viva, além dos limitados significados Aureliano.

Mas o tinhoso Gênio Bosco ainda nos reservava outra surpresa. Deu um show a parte com o violonista e compositor Yamandu Costa, que “rasgou” de maneira espetacular os embalos da madrugada. Aquela altura (pois o Som Brasil começou após o programa do Jô, por volta das 2h da madrugada) já estava com meus sentidos em Linha de Passe, como a música que cantavam. Por quase quatro minutos mantive meus olhos fixos no plasma sem saber se era o violão que cantava ou o clamor de João Bosco que “violava” o tempero da canção. Só fui interrompida da admiração que dedicava quando me percebi aplaudindo os músicos, de pé, pelo lado de cá da telinha.

Valeu a pena deixar o edredom a minha espera. O Som Brasil mostrou que entreter não recai em subestimar o público com programação de desvio intelectual. Parabéns a Rede Globo pelo belíssimo espetáculo produzido. E por favor, eu também preciso dormir para enfrentar a maratona de arraias pelo interior da Bahia. 2h da manhã, só mesmo Gênios Boscos pra fazer meu olho não grudar.





Michael Jackson: A Vida e a Morte na Mídia

2 07 2009

michael-jacksonO gênio do pop internacional, ovacionado pelo mundo por suas inquietações e inovações artísticas que o colocavam à frente do seu tempo, e que transformou o mercado fonográfico com os milionários vídeo-clips que ditavam padrões estéticos na década de 80 – considerados, inclusive, divisor de águas das produções audiovisuais contemporâneas – foi também a atração número um da mídia.

Este, que foi brilhante nos palcos e arrastou consigo uma legião de fãs em todos os continentes, também preencheu os noticiários com os espetáculos e performances ímpares (como o inesquecível moonwalker que desbancava qualquer imitador despreparado), bem como se tornou foco da imprensa na cobertura dos escândalos sobre denúncias de pedofilia, que o fizeram gastar fortunas com indenizações e fianças, além das diversas polêmicas, ora envolvendo a revelação de que sofria agressões físicas na infância pelo pai, ora pela brancura da pele, cirurgias plásticas e dívidas que o levaram à falência.

Como não seria diferente, após 50 anos de vida (retirando destes 45 só de carreira artística), morre subitamente levantando do túmulo diversas especulações a respeito da sua morte. São tantas as hipóteses içadas sobre o falecimento do astro que não seria improvável aos médicos-legistas confundirem o diagnóstico do resultado da autópsia, ou mesmo errar a causa que aponta para a overdose de drogas, que inevitavelmente causou-lhe uma parada cardíaca.

Porém, certeza mesmo, só a cifra que está sendo movimentada no mercado cultural midiático e fonográfico a cerca dos tantos assuntos referentes ao astro pop. É assunto que dá para alimentar dezenas de gerações que vierem por aí.

Os jornais estão vendendo a torto e direito, assim como as edições especiais de revistas, CDs e DVDs do músico não param de esgotar os estoques. As TVs, nem se fala. O índice de audiência dispara quando o tema é o cantor. E as rádios tocam suas canções a cada minuto. É uma canção de Michael alternando a canção de outro músico. Desde o trágico dia 25/06, não há espaço suficiente para as notícias referentes ao alastramento da gripe suína no país que está fazendo mais vítimas, nem para a morte da “pantera” Farrah Fawcett que veio a óbito no mesmo dia do “Rei do Pop” e, tão pouco, para a crise instalada no Senado que pede o afastamento imediato do presidente da Casa, José Sarney, devido às recentes descobertas de irregularidades administrativas.

É chegada a notícia

Confesso ter sido pega de surpresa sobre a morte de Jackson, na madrugada de 25 para 26 de junho. Pois, por opção, mantive-me isenta dos “embrulhos” que a TV dominical me proporciona. Até que um filho de Deus me ligou informando do ocorrido. Quase mato (no sentido figurado da palavra) aquele que interrompeu meus sonhos para transformá-los em pesadelos – a morte é sempre assustadora e a cara de Michael nos últimos tempos tem sido mais ainda. Não dava mais para dormir com a imagem transfigurada de Michael Jackson penetrando meu juízo. Levantei, vi a notícia correndo pelos blogs quando procurava pela informação nos sites de busca, dei-me por satisfeita e voltei para cama.

No dia seguinte à morte do ídolo norte-americano, como já era de se esperar, lá estava ele mudando a programação habitual dos veículos. Em dado momento, fixei a TV no canal Multishow (a TV paga do grupo Globo) e para surpresa maior desta que nunca teve o astro pop como ídolo, mas reconhece o trabalho magnífico executado por ele e ressentia o falecimento inesperado, fiquei pasma com a “homenagem” póstuma dedicada pela emissora. O nome do programa, não sei, porque não acompanhei do início, mas se minha memória anda boa tanto quanto minha língua afiada, acima do vídeo tinha em letras brancas garrafais os seguintes dizeres: “OS PIORES MOMENTOS DA VIDA DE MICHAEL JACKSON”.

Conduta apelativa

De arrepiar até mesmo os cabelos implantados do popstar. Um documentário inteirinho dedicado às mazelas da vida do cantor. Parecia até matéria de gaveta, pronta para disparar no momento mais oportuno. Mas justo quando ainda muitos recebiam a notícia da morte do astro e outros tantos faziam vigília para ele ou estavam de luto? O que é que é isso? Haja falta de bom senso.

Não dá para encarar que Michael Jackson viveu apenas de momentos gloriosos, mas destacar apenas os aspectos negativos vividos por este que foi o Rei do Pop, com enxurradas de notícias assombrosas, se não for apelação para atingir altos índices de Ibope, seria o que?

Pelo visto, ninguém está a salvo da conduta apelativa dos meios de comunicação em busca da audiência desenfreada que faça perpetrar o tilintar de suas máquinas registradoras. Nem mesmo quem compromete parte do orçamento mensal em TV por assinatura – onde acreditava ser a escapatória de assuntos vis – está protegido da moléstia midiática.

 

Artigo publicado no Observatório da Imprensa

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=545FDS009

No site Alai Online 

http://www.alaionline.org/artigo_michael.htm

E no site da Fundação Cultural CA&BA

http://www.caeba.org.br/site/index.php/page/artigos/id/22