Pulseira do sexo não deve servir de justificativa para crime

12 04 2010

A mania que virou febre entre as crianças e, principalmente, os adolescentes brasileiros, desde dezembro de 2009, está dando o que falar na grande mídia, embora os blogs sejam os campeões de comentários. As tais “pulseiras do sexo”, como ficaram popularmente conhecidas – utilizadas inicialmente por adultos britânicos em 2006, como uma brincadeira nas casas noturnas – levantou questões polêmicas que vão desde a banalização do sexo na sociedade contemporânea até a iminente proibição do uso e comercialização do acessório.

Em boa parte das escolas brasileiras a proibição na utilização dos braceletes já está vigorando, enquanto em alguns municípios o Poder Público estuda a possibilidade de coibir a comercialização do adorno – a justificativa das autoridades é baseada nas evidências de que as pulseiras do sexo podem ter servido de motivo para práticas criminosas, além de facilitar a ação de pedófilos e tarados. A principal indicação dos atos delituosos está nos crimes ocorridos contra menores. No mês passado, uma adolescente de 13 anos foi estuprada por, pelo menos, três rapazes em Londrina (PR), quando saía da escola, e outras duas foram encontradas mortas no início de abril em Manaus (AM) utilizando as pulseiras.

Compostas por silicone de variadas cores e comercializadas em estabelecimentos que vão desde lojas de grife em shopping centers até barracas de camelô das grandes avenidas e até na porta de escolas, em certos aspectos, o jogo em que estão envolvidas as pessoas que usam a “pulseira do sexo” lembra a “salada mista” – adivinha dos anos 80 que limitava os participantes a trocar selinhos, beijo no rosto, abraço e aperto de mão. No entanto, a versão do século XXI apresenta características mais ousadas e difíceis de serem aceitas por pais, educadores e até profissionais que lidam com o comportamento.

Sem que haja um pedido formal, basta aderir a pulseira plástica para já fazer parte do jogo chamado snap. As regras, essas são ditas pela cor apresentada por cada pulseira. A amarela significa abraço, rosa quer dizer mostrar o peito, laranja expressa dentadinha de amor, roxa é beijo com a língua – talvez sexo, vermelha fica por conta da lap dance – um tipo de dança erótica, verde denota sexo oral a ser praticado pelo rapaz, já a branca, a menina escolhe o que quiser, enquanto azul determina sexo oral a ser praticado pela menina e a preta quer dizer sexo com a menina. Contudo, para receber a “prenda”, como regra do jogo, é necessário arrebentar as tais pulseiras – o que têm causado uma corrida frenética dos meninos atrás das meninas.

Comprovadamente sabemos que a sexualidade se inicia ainda na infância e se intensifica na adolescência, principalmente, por conta das mudanças corporais e hormonais – foi assim com quem já passou dessa fase e será assim para quem ainda não a alcançou. A pulseira do sexo se estabeleceu como um meio para o contato com o sexo oposto (ou mesmo com pessoas do próprio sexo), porém o uso das pulseiras não deve ser interpretado como motivo para práticas violentas. Ninguém é obrigado a fazer sexo com quem não quer. Se o for está caracterizado abuso sexual e o acusado deve ser responsabilizado por seus atos.

Para minimizar e até evitar futuros transtornos, os pais devem manter o diálogo constante com seus filhos e alertá-los sobre os riscos a que podem estar expostos, bem como os educadores devem instruir os estudantes sobre assuntos que contribuem para formação individual e coletiva. Entretanto, embora sexualmente apelativo, e respeitando as divergentes opiniões e decisões alheias, acredito que o jogo das pulseiras do sexo não deva servir de motivo para justificar crimes. Seria o mesmo que apresentar desculpas de um homem que abusou sexualmente uma mulher por ela ter usado uma saia ou um short curto com blusa decotada. Quem pratica um crime, principalmente contra a vida, é um delinqüente infrator que tem ou não distúrbios psicológicos e que deve ser tratado pelas autoridades e descrito pela imprensa como a pessoa que verdadeiramente é: um(a) criminoso(a).